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Gustavo
Poloni [e-mail:
hipertexto@abril.com.br]
A rede
bem no meio da guerra
Quem ainda
olha com desconfiança para a internet tem bons motivos para mudar
de opinião depois dos atentados terroristas nos Estados Unidos.
A rede mundial de computadores provou que é parte da vida das pessoas.
Logo no dia dos ataques, os principais sites de notícia praticamente
pararam diante do gigantesco volume de internautas buscando informações.
Alguns tiveram de improvisar uma primeira página mais leve, só
com notícias dos atentados. Deu resultado.
A audiência
de alguns deles subiu mais de 600%. O tráfego continuou intenso.
Sites com listas e fotos de desaparecidos no World Trade Center são
um exemplo. A CNN.com lançou o site Missing, uma lista eletrônica
com nome e imagem de pessoas que podem estar sob as ruínas do prédio
destruído.
Em outra
frente, a rede angaria doações para ajudar as vítimas
e a operação de buscas nos escombros. Até
o final da semana passada, pelo menos 36 milhões de dólares
haviam sido arrecadados pela rede e destinados à ajuda das vítimas
dos ataques. A internet também serviu como fonte de pistas para
os agentes do FBI em busca dos responsáveis pelos atentados. Alguém
teria antecipado os fatos numa lista de discussão no dia dos ataques.
Suspeita-se que seja um terrorista. Até os hackers estão
agindo na guerra ao terrorismo. Um grupo deles está sabotando sites
ligados ao grupo fundamentalista Talibã, que controla o Afeganistão.
Os campeões de audiência
A audiência
de alguns endereços na internet cresceu muito durante os atentados terroristas.
Os sites de notícias foram os mais acessados. Números da Jupiter Media
Metrix mostram que os visitantes da Time.com cresceram mais de 500%. Sites
do governo americano também foram bastante visitados. O volume de acessos
ao site da Casa Branca cresceu seis vezes - de 27 000 visitantes diários
para 162 000. Não foram apenas os acessos que aumentaram. A America Online
anunciou que nunca na história da internet foram trocadas tantas mensagens
instantâneas através do AIM, seu programa de troca de mensagens. Ao todo,
foram 1,2 bilhão de mensagens.

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Salve
Ações em alta
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As
fabricantes de equipamentos de videoconferência viram o preço de
suas ações disparar desde os atentados terroristas aos Estados Unidos.
De acordo com especialistas, executivos de todo o mundo pensarão
duas vezes antes de entrar num avião para uma reunião corriqueira.
Vão preferir ficar sentados na frente de uma câmara.

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Delete
Só boas notícias
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Uma
jogada de marketing equivocada do iG resultou no maior papelão de
um portal brasileiro desde o aparecimento da internet por aqui.
O provedor anunciou que no dia 11 de setembro só divulgaria notícias
positivas. O endereço só se esqueceu de combinar com os terroristas
que atacaram os Estados Unidos. Diante da tragédia, o site teve
de cancelar o seu "dia especial".

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Brincadeira sem graça
O
mundo dos games é repleto de sangue, tiros e violência. A garotada adora
isso. Mas nenhuma fabricante de jogos quer relacionar seus próximos lançamentos
aos ataques terroristas. Uma das primeiras a tomar precauções foi a Microsoft.
O lançamento do Flight Simulator 2002 (foto), game em que a pessoa pode
pilotar um avião por diferentes cidades do mundo, inclusive Nova York
antes dos atentados, foi adiado em alguns dias. A Digital Leisure cancelou
por tempo indeterminado a chegada do Crime Patrol, cuja fase final é uma
guerra entre policiais e terroristas. O jogo on-line de espionagem e sabotagem
Majestic, da Eletronic Arts, foi retirado do ar por alguns dias. A empresa
também teve de refazer cenários do Red Alert 2, que tinha cenas do World
Trade Center em chamas.

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As várias faces da guerra
A retaliação
de americanos aos atentados terroristas que atingiram o World Trade Center
e o Pentágono já começou. Pelo menos na internet. Um grupo de hackers
americanos batizado de Dispatchers se mobilizou após os atentados para
atacar e tirar do ar alguns sites ligados ao Afeganistão e ao Talibã,
milícia fundamentalista que comanda com rédeas curtas o país. Pelo menos
duzentos endereços foram derrubados pela força de ataque, que conta com
aproximadamente sessenta soldados virtuais. Entre os sites atingidos,
estão o do Ministério Iraniano, do palácio presidencial do Afeganistão
e do Talibã. Na maioria dos casos, os invasores colocaram fotos de Osama
bin Laden, principal suspeito dos atentados, no lugar do conteúdo do site.
Outro objetivo do Dispatchers é destruir servidores e derrubar o acesso
à rede no Afeganistão. Especialistas temem que a retaliação eletrônica
do grupo desencadeie uma verdadeira guerra virtual.

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Telefone, satélite e muita coragem

Os
repórteres Nic Robertson (foto acima) e Alfredo de Lara, da rede de televisão
CNN, estavam no Afeganistão cobrindo um julgamento quando aconteceram
os atentados terroristas aos Estados Unidos. A reação deles, ao contrário
da maioria das pessoas, não foi fugir do país assim que ele foi eleito
o principal berço do terrorismo no mundo. Usando o kit TH-1 (foto ao lado),
da empresa inglesa 7E Communications, composto por um videofone que se
liga a um satélite, uma câmara de vídeo e algumas baterias de carro, eles
passaram a fazer boletins direto do Afeganistão. Contam as movimentações
na capital, Cabul, e trazem notícias fresquinhas do país. A imagem não
é perfeita. O motivo é a conexão de 128 Kbps que liga o equipamento ao
satélite, que retransmitirá a notícia até a matriz da rede de televisão.
A brincadeira, no entanto, durou pouco. A pedido do governo afegão, os
jornalistas foram obrigados a deixar o país. Agora, estão transmitindo
ao vivo do vizinho Paquistão. Quem quiser brincar de repórter por aí vai
pagar caro. O TH-1 é vendido por 8 000 dólares.

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Ninguém pode com ela
A internet
pode ter mostrado muita força nos atentados, mas os americanos ainda preferem
a TV. Uma pesquisa do projeto Pew Internet & American Life mostrou que
mais de 80% dos americanos ligaram a televisão para entender o que se
passava em Nova York e em Washington. A internet, com 3%, ficou atrás
até mesmo do rádio, que contou com a audiência de 11% dos americanos.
A explicação é simples. Durante anos, o povo se acostumou a correr para
a frente da TV em busca de informação. Os números revelam ainda que 51%
dos americanos usaram o telefone para falar com parentes, enquanto 15%
usaram os e-mail. "É a necessidade de ouvir a voz da pessoa", explica
Lee Raine, responsável pela pesquisa. Moral da história: a rede avançou
muito, mas ainda precisa avançar muito mais.

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Equipes de resgate, cachorros e robôs
A
busca por sobreviventes sob a pilha de escombros do World Trade Center
envolveu bombeiros e policiais, milhares de voluntários, cachorros treinados
para localizar pessoas e até mesmo uma equipe especial composta por 24
robôs. Equipados com câmaras de vídeo, sensores de calor, fachos de luz,
esteiras no lugar de rodas e do tamanho de uma caixa de sapatos, eles
são usados para explorar locais de difícil acesso. Longe dos escombros,
alguém "dirige" o equipamento com um controle remoto.

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| Notas
Investigação
Os
participantes de uma lista de discussão do site ficaram surpresos
com as afirmações de um dos seus integrantes. Em tom ameaçador,
ele dizia, em 4 de setembro, que em sete dias o mundo seria palco
de algo nunca visto antes. Foi alvo de chacota. O dia 11 chegou
e a ameaça se confirmou. Foi na fatídica manhã que aconteceram os
atentados terroristas. Brincadeira sem graça aliada a uma triste
coincidência? O FBI acha que não. As mensagens enviadas pelo adivinho
estão sendo rastreadas pela polícia americana. Pode ser mais uma
pista que levará aos terroristas que chocaram o mundo.

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Dá para
piorar?
A crise que
assola o mercado de tecnologia desde o começo do ano passado pode se aprofundar
ainda mais em conseqüência dos ataques terroristas e do clima de guerra.
Um levantamento prévio feito por empresas do setor estima que serão necessários
15 bilhões de dólares para reconstruir a infra-estrutura da região de
Nova York atingida pelos aviões. Mas o desaquecimento da economia americana
pode retardar os investimentos. Outra preocupação das empresas de tecnologia
é superar a perda dos executivos de alto escalão que morreram durante
os ataques. Substituí-los será tarefa árdua.

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Verdades ou mentiras?
A
internet é uma fonte excelente de pesquisa. Mas também pode ser uma ótima
ferramenta para confundir a cabeça das pessoas.
Uma corrente dizia que as imagens de palestinos comemorando os ataques
terroristas veiculadas pela rede de televisão americana CNN eram
falsas. A empresa teve de vir a público para desmentir a falsificação.
E-mail profético com uma citação de Nostradamus dizia
que o mundo entraria na terceira grande guerra no dia em que os "dois
gêmeos caíssem em meio ao caos" - uma referência
às torres do World Trade Center. Pesquisas indicam que o profeta
não fez tais previsões.
A imagem de uma das torres do World Trade Center desabando traz um detalhe
interessante. Ao meio da fumaça, existem traços de um rosto
humano (veja detalhe na foto). O texto diz que "o castigo veio dos
céus" e que a "Justiça divina tarda, mas não
falha". Retoque de programas de tratamento de imagem ou sinal divino?
Terrorismo
nunca mais
Ao mesmo
tempo que busca os responsáveis pelos atentados que mataram milhares de
pessoas nos Estados Unidos, o governo americano começa a se mexer para
tentar melhorar a segurança interna do país. Depois que apareceu a notícia
de que um suposto terrorista teria usado uma lista de discussão do Google
para avisar sobre os atentados, o Senado americano aprovou a expansão
do uso do programa Carnívoro. Com a ajuda de palavras-chave, ele é usado
no monitoramento de todos os e-mails trocados no mundo. Outra medida que
vem sendo estudada é a utilização, nos aeroportos do país, de equipamentos
de identificação de impressão digital e de retina. Eles dificultam a troca
de identidade das pessoas.

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