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| A doença do imprevisto |
| A esclerose múltipla, uma patologia degenerativa que afeta principalmente pessoas com idade entre 20 e 40 anos, muitas vezes é confundida com stress; diagnóstico precoce é fundamental para manter a qualidade de vida do paciente |
| por Luciana Christante |
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© MARIE SCHMITT/BSIP/KEYSTONE |
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| A perda progressiva da bainha de mielina que recobre os neurônios dificulta a transmissão dos impulsos nervosos |
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[continuação]
A esclerose múltipla se caracteriza por focos de desmielinização no sistema nervoso central – o que inclui cérebro, tronco cerebral e medula espinhal. Em outras palavras, os neurônios perdem progressivamente a bainha de mielina que os recobre. À medida que esse revestimento se degenera, a transmissão dos impulsos nervosos fica mais lenta e os sintomas, mais evidentes. Se a doença não for contida, a lesão do axônio é inevitável e também irreparável. Essa desmielinização não ocorre de forma homogênea, mas em focos localizados principalmente em áreas motoras e sensoriais.
Nos últimos dez anos, a ressonância magnética se tornou uma ferramenta indispensável aos médicos para avaliar a extensão das lesões e definir as estratégias do tratamento, até mesmo quando a doença parece estar silenciosa. “Muitas vezes o paciente está clinicamente bem, sem surtos, mas a ressonância mostra que a desmielinização está progredindo”, explica a neurologista da Abem. O fenômeno é chamado “paradoxo clínico-radiológico” e revela que não há coincidência temporal entre surtos e lesões. Os pesquisadores ainda tentam entender como isso ocorre.
Outro aspecto intrigante da esclerose múltipla, que também só foi revelado pela ressonância magnética, é a capacidade do sistema nervoso de reverter, até certo ponto, o processo de degeneração da mielina, principalmente nos primeiros anos da doença – o que pode ser observado pelo desaparecimento de focos de desmielinização (que ainda não resultaram em lesão axonal, obviamente). Mais uma razão pela qual os médicos se esforçam para iniciar o tratamento o mais cedo possível. |
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| Luciana Christante é farmacêutica e jornalista científica. |
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