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| A doença do imprevisto |
| A esclerose múltipla, uma patologia degenerativa que afeta principalmente pessoas com idade entre 20 e 40 anos, muitas vezes é confundida com stress; diagnóstico precoce é fundamental para manter a qualidade de vida do paciente |
| por Luciana Christante |
[continuação]
O acompanhamento psicológico é parte fundamental do tratamento, segundo a neurologista da Abem. “A esclerose múltipla muda muito a vida da pessoa, principalmente na área profissional. O impacto é muito forte, muitos pacientes sofrem de depressão.” A fisioterapia e a terapia ocupacional são importantes para que o indivíduo se adapte às limitações motoras, aprendendo certos movimentos que compensem habilidades comprometidas e corrigindo a postura de modo a não prejudicar a coluna, por exemplo. Já a reabilitação fonoaudiológica visa contornar dificuldades na fala de alguns deles, que não raro são vítimas de preconceitos e mal entendidos, pois as pessoas tendem a julgá-los embriagados. Problemas cognitivos podem ocorrer, mas são menos comuns. “Não se trata de um quadro de demência, como em outras doenças neurodegenerativas, mas de um processamento mais lento da memória e do raciocínio, reflexo da desmielinização, pois a condução dos impulsos nervosos fica menos eficiente”, afirma Giácomo. A acupuntura é muito usada para aliviar dores e, como conseqüência, melhorar a qualidade do sono.
Outro aspecto imprevisível da esclerose múltipla é sua evolução. Embora entre 80% a 90% dos pacientes apresentem a forma remitente-recorrente (surtos intercalados por remissões), em metade deles a doença começa a progredir rapidamente depois de dez ou 15 anos, com forte piora dos sintomas e do grau de incapacidade. A forma progressiva também pode se manifestar desde o início, o que ocorre em até 10% dos pacientes, principalmente nos que tiveram os primeiros sintomas depois dos 40 anos. Em uma minoria dos casos, a esclerose múltipla é considerada benigna: depois de um ou dois surtos de recuperação completa, a doença estaciona e a incapacidade é mínima. Para os neurologistas, seria de grande utilidade para o tratamento se houvesse algum tipo de marcador que os ajudasse a prever esse curso, mas todas as tentativas até o momento falharam.
Novos tratamentos, atualmente em fase avançada de desenvolvimento, têm dois objetivos: diminuir ainda mais a ocorrência de surtos e atender a uma pequena parcela dos pacientes que não respondem a nenhuma droga. Há uma grande expectativa em relação às terapias biológicas, representadas por um grupo de medicamentos conhecidos como anticorpos monoclonais e que já vêm sendo usados com bons resultados na artrite reumatóide e no lúpus. |
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| Luciana Christante é farmacêutica e jornalista científica. |
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