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| A doença do imprevisto |
| A esclerose múltipla, uma patologia degenerativa que afeta principalmente pessoas com idade entre 20 e 40 anos, muitas vezes é confundida com stress; diagnóstico precoce é fundamental para manter a qualidade de vida do paciente |
| por Luciana Christante |
[continuação]
“Os ensaios clínicos têm mostrado que os anticorpos monoclonais são mais eficazes na prevenção dos surtos e nas formas progressivas”, diz Dagoberto Calegaro. O médico ressalta, porém, a preocupação com a segurança que esses fármacos oferecem, principalmente depois do que aconteceu com o natalizumabe, o primeiro anticorpo monoclonal aprovado para a esclerose múltipla em 2004. Três anos depois o medicamento foi retirado do mercado devido a alguns casos de morte por infecção oportunista (o natalizumabe não chegou a ser vendido no Brasil). Essa, aliás, é uma característica dos anticorpos monoclonais que já levou alguns deles a destino semelhante em outras doenças. São drogas altamente específicas, que podem causar efeitos adversos mais raros, mas quando eles ocorrem, a tendência é que sejam mais graves.
CÉLULAS-TRONCO Atualmente os pacientes que não respondem ao tratamento convencional com imunomoduladores têm apenas uma opção: o transplante de células-tronco adultas, já realizado no Brasil. Por ser muito agressivo, é usado apenas como último recurso. O princípio é o mesmo do transplante de medula óssea utilizado em alguns tipos de leucemia. Células-tronco adultas são retiradas da medula óssea da própria pessoa, que em seguida é submetido a forte carga de quimioterapia para que seu sistema imunológico seja totalmente suprimido. Obviamente, é preciso que nessa fase ela esteja internada e receba cuidados intensivos, pois qualquer infecção nesse momento poderia ser fatal. Depois as células-tronco são reinjetadas na corrente sangüínea, e em pouco tempo dão origem a um sistema imunológico “novo” – e sadio.
Segundo o hematologista Nelson Hamerschlak, do Hospital Israelita Albert Einstein, o transplante não reverte lesões já ocorridas, mas pode estabilizar a doença em 70% dos casos. “Muitas vezes, no entanto, ela retorna depois de alguns anos, mas mesmo assim vale a pena do ponto de vista da qualidade de vida. Os melhores resultados são obtidos quando a doença não está tão avançada”, afirma o médico. No Brasil, o transplante de células-tronco adultas para esclerose múltipla é feito apenas no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto e no Hospital Albert Einstein em São Paulo. |
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| Luciana Christante é farmacêutica e jornalista científica. |
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