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A dose certa

A sensação de nos sentirmos estressados, capaz de operar transformações físicas e mentais “necessárias” para a sobrevivência, pode ser benéfica. Mas, como sabiamente disse Paracelso "a dose certa diferencia um veneno de um remédio"

julho de 2017
Gláucia Leal
SHUTTERSTOCK

Um pouco de estresse faz bem. Quando nos preparamos para expor um ponto de vista, fazer uma viagem tão sonhada ou apresentar um projeto numa reunião profissional, a resposta cerebral entra em ação para aguçar a atenção, o estado de alerta e nossa predisposição para “lutar ou fugir”. Nos primórdios da evolução humana, para sobreviver era preciso enfrentar feras. Hoje, grande parte dos embates ocorre no dia a dia e, em especial, no ambiente profissional. Daí a conclusão, bastante compreensível, de que a sensação de nos sentirmos pressionados, capaz de operar transformações físicas e mentais “necessárias” para a sobrevivência, pode ser benéfica. Mas, como sabiamente disse Paracelso (pseudônimo do médico, físico e alquimista alemão nascido no século 15 Philippus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim), “a dose certa diferencia um veneno de um remédio”. Ou seja: se a sobrecarga é muito frequente, a mente e o corpo sofrem com o excesso – e aí surgem as manifestações patológicas que, em casos extremos, podem levar à morte. Embora a maneira como ocorre esse processo (mais letal para uns que para outros) e as formas de evitá-lo ainda intriguem especialistas, várias pesquisas têm mostrado que medidas cotidianas aparentemente simples têm efeitos tanto psíquicos quanto bioquímicos importantes, capazes de aliviar e reverter sintomas provocados pela exaustão mental e emocional continuada. 

Obviamente, a responsabilidade não pode ser atribuída exclusivamente ao sujeito. Como acontece com qualquer epidemia, o estresse não tem influência apenas sobre os indivíduos – também estão envolvidos aspectos culturais, sociais e econômicos. Estima-se que o prejuízo decorrente de faltas no trabalho, baixa produtividade, acidentes e doenças em decorrência do problema chegue a algumas centenas de bilhões de dólares. No Brasil não há estatísticas oficiais, mas certamente a situação seria é melhor se organizações investissem numa “educação para a diminuição dos índices do estresse”, incentivando a autonomia e a criatividade dos profissionais, e oferecessem rotinas mais flexíveis. Enquanto essa consciência não é disseminada, cabe a cada pessoa se perguntar, com alguma periodicidade, quais são suas prioridades. Esta edição de Mente e Cérebro apresenta maneiras eficientes, cientificamente comprovadas, de lidar com o desgaste excessivo e evitar que a “medicação”, que deveria nos impulsionar à vida, se torne mortal. É tudo uma questão de dose e cuidado consigo mesmo.

Este artigo foi publicado originalmente na edição de julho de Mente e Cérebro, disponível na Loja Segmento:

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