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Artigos |
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| edição 189 - Outubro 2008 |
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| Coceira: incômodo ou alerta |
| A irritante, e às vezes irresistível, a vontade de coçar, é reavaliada; hoje, especialistas sabem que tem forte componente psíquico e está relacionada aos mesmos circuitos neurais da dor |
| por Uwe Gieler e Bertram Walter |
[continuação]
CAMINHOS DA IRRITAÇÃO
As fontes da coceira sempre suscitaram curiosidade. No século II a.C., por exemplo, o médico grego Galeno observou que a coceira pode surgir de uma condição subjacente não relacionada à pele. Há 350 anos, o médico alemão Samuel Hafenreffer definiu a coceira como uma percepção desagradável na pele que desencadeia a necessidade de arranhar. Napoleão sofria de graves coceiras, assim como o médico e líder intelectual da Revolução Francesa, Jean Paul Marat.
Há apenas dez anos, os médicos consideravam a coceira “uma irmã menor da dor”. Afinal, a sensação segue o caminho rumo ao cérebro ao longo dos mesmos nervos seguidos pelos estímulos dolorosos, exceto pelo fato de a intensidade da irritação ser menor. Essa noção se baseava, entre outras coisas, na observação de que a dor inibe a coceira. Segundo a chamada teoria da intensidade, a estimulação neuronal fraca causa a coceira, e a forte leva à dor.
Em 1997, porém, o neurofisiologista Martin Schmelz, da Universidade de Erlangen-Nuremberg, na Alemanha, provou que a necessidade de coçar alcança a medula espinhal a partir da pele via fibras nervosas independentes, chamadas fibras-C polimodal. Essas fibras-C parecem idênticas àquelas que sinalizam a dor, mas transmitem apenas sensações de coceira. Os sinais que propagam a irritação da pele percorrem a fibra nervosa até a medula espinhal e depois até o cérebro. Coçar e friccionar pode interferir com essas terminações neurais estimulando a dor e os receptores táteis nas mesmas áreas, inibindo assim os receptores circundantes da coceira, chamados pruriceptores. |
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| Uwe Gieler e Bertram Walter Uwe Gieler é dermatologista e professor de medicina psicossomática na Universidade de Giessen, na Alemanha. Bertram Walter é psicólogo e pesquisador do Bender Institute of Neuroimaging, em Giessen. |
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