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Artigos |
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| edição 197 - Junho 2009 |
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| Como é ser uma abelha? |
| Por muito tempo imaginou-se que os animais, e em particular os insetos, fossem criaturas simples, reflexas, com comportamentos instintivos fisicamente determinados; atualmente essa idéia está sendo revista: hoje se sabe que eles podem até fazer escolhas |
| por Christof Koch |
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© ISTVAN FERGE/SHUTTERSTOCK |
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Quer você esteja sobre uma moto avançando sinuosamente pelo tráfego, correndo pelas montanhas, dançando um rápido rock`n`roll, lendo um livro cativante, fazendo amor ou discutindo com um amigo, os olhos, ouvidos, sensores de pele e dos órgãos pintam a cada momento, na tela da mente, um quadro absorvente do exterior – inclusive de seu próprio corpo. Desconfio que essa sensação não seja diferente do modo como os animais vivenciam conscientemente o mundo. Exceto, talvez, pelos grandes primatas antropomorfos e alguns outros animais privilegiados com grande cérebro, a maioria das espécies não possui o senso altamente desenvolvido do eu, a capacidade de refletir sobre si mesmo, que os seres humanos têm. A maioria dos biólogos e donos de bichos de estimação está disposta a conceder consciência a gatos, cães e outros mamíferos. Contudo, nossas intuições nos decepcionam inteiramente quando consideramos peixes e pássaros, para não falar de invertebrados como lulas, moscas ou vermes. Será que eles vivenciam as visões e sons, as dores e os prazeres da vida? É claro que eles não podem ser conscientes – parecem muito diferentes de nós, estranhos demais.
Imaginava-se há muito tempo que os insetos, em particular, fossem criaturas simples, reflexas, com comportamentos instintivos fisicamente determinados. Não mais. Consideremos as assombrosas capacidades das abelhas melíferas, Apis mellifera. Os pesquisadores Martin Giurfa, Mandyam Srinivasan e Shaowu Zhang, o primeiro da Universidade de Toulouse, na França, e os dois últimos da Universidade Nacional Australiana de Canberra, treinaram abelhas soltas, utilizando água açucarada como recompensa, em uma variedade de complexas tarefas de aprendizado. Os neuroetologistas ensinaram as abelhas a voar para dentro e para fora de altos cilindros com uma única via de entrada e dois orifícios de saída. Cada inseto precisava escolher uma das duas saídas do cilindro e continuar o vôo. Esses cilindros foram dispostos em ângulos para formar labirintos com vários níveis de pontos de ramificação em "Y" que as abelhas encontravam antes de chegar à estação de alimentação desejada. Em um conjunto de experimentos, os cientistas treinaram as abelhas uma trilha de marcas coloridas, como em uma gincana. Elas poderiam então usar – mais ou menos – a mesma estratégia em um labirinto inteiramente desconhecido. Surpreendentemente, conseguiram usar a cor de maneira abstrata, virando para a direita, por exemplo, quando o ponto de ramificação era azul, e para a esquerda quando era verde. Individualmente, animais desenvolveram estratégias bem sofisticadas, como a regra de “virar à direita”, que sempre levava à meta, embora não necessariamente pela rota mais curta. |
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| Christof Koch CHRISTOF KOCH é professor de biologia cognitiva e comportamental do Instituto de Tecnologia da Califórnia, onde ensina e faz pesquisas sobre a base neuronal da atenção visual e consciência há mais de duas décadas. |
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