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Artigos |
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| edição 197 - Junho 2009 |
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| Como é ser uma abelha? |
| Por muito tempo imaginou-se que os animais, e em particular os insetos, fossem criaturas simples, reflexas, com comportamentos instintivos fisicamente determinados; atualmente essa idéia está sendo revista: hoje se sabe que eles podem até fazer escolhas |
| por Christof Koch |
[continuação]
Nos seres humanos, o armazenamento de curto prazo de informações simbólicas – como quando colocamos o número de telefone de um conhecido na memória do celular – está associado a um processamento consciente. Seriam as abelhas capazes de lembrar de informações relevantes à tarefa? Um teste costuma ser utilizado para avaliar a existência de retardo: o indivíduo olha para um quadro por alguns segundos. A imagem-teste então desaparece por 5 ou 10 segundos. Subsequentemente são mostrados dois quadros um ao lado do outro e o animal precisa optar, apertando uma alavanca ou movendo os olhos, para indicar qual das duas imagens era a imagem-teste. Isso poderá ser corretamente realizado se ele se lembrar da figura. Numa versão mais complexa, a tarefa de escolha diferente do modelo para retardo (EDM-R), exige uma etapa adicional de processamento: a opção pela imagem oposta àquela anteriormente mostrada.
Embora não possamos esperar que abelhas apertem alavancas, elas podem ser treinadas para pegar a saída da esquerda ou da direita dentro de um cilindro modificado para o teste. Um disco colorido serve como um sinal na entrada do labirinto, de forma que a abelha o veja antes de começar o percurso. Uma vez lá dentro, ela precisa escolher o ramo que exibe a cor que corresponde (ECM-R) ou não corresponde (EDM-R) à cor da entrada. As abelhas realizam bem as duas tarefas. E até generalizam para uma situação que nunca encontraram antes. Isto é, uma vez treinadas com cores, elas "entendem" e podem seguir uma trilha de listras verticais, se um disco com grades verticais estiver à esquerda da entrada do labirinto. Esses experimentos demonstram que as abelhas aprenderam uma relação abstrata independentemente da natureza física dos estímulos.
Esses estudos não provam que as abelhas são conscientes, mas indicam que até este momento não temos motivo para duvidar disso. Abelhas são criaturas altamente adaptativas e sofisticadas, com pouco menos de 1milhão de neurônios comprimidos em menos de 1 milímetro cúbico de tecido cerebral e interconectados (de maneiras que estão além do nosso atual conhecimento). A densidade neural do cérebro desses insetos é cerca de dez vezes maior que a de um mamífero, que a maioria de nós considera o ponto mais elevado da evolução deste planeta. Nos seres humanos, a perda generalizada de córtex cerebral, como no caso da paciente em estado vegetativo Terri Schiavo, leva a uma perda irreversível da consciência. Isso não quer dizer que um córtex cerebral seja necessário para consciência em criaturas com uma herança evolutiva diferente. |
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| Christof Koch CHRISTOF KOCH é professor de biologia cognitiva e comportamental do Instituto de Tecnologia da Califórnia, onde ensina e faz pesquisas sobre a base neuronal da atenção visual e consciência há mais de duas décadas. |
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