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Artigos |
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| edição 197 - Junho 2009 |
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| Como é ser uma abelha? |
| Por muito tempo imaginou-se que os animais, e em particular os insetos, fossem criaturas simples, reflexas, com comportamentos instintivos fisicamente determinados; atualmente essa idéia está sendo revista: hoje se sabe que eles podem até fazer escolhas |
| por Christof Koch |
[continuação]
Abelhas vivem em organizações sociais altamente estratificadas, embora flexíveis, com aptidões como tomada de decisão em grupo que rivalizam, em eficiência, com os comitês acadêmicos, corporativos ou governamentais. Na primavera, quando formam enxames, as abelhas escolhem uma nova colmeia, que precisa satisfazer muitas demandas em dois dias (pense nisso na próxima vez em que sair em busca de um lugar para morar...). Elas transmitem informações sobre o local e a qualidade de fontes alimentares utilizando a dança. Podem voar vários quilômetros e voltar à colméia, numa notável façanha de navegação. Seu cérebro parece ter incorporado um mapa do ambiente. E um aroma levado pelo vento até a colmeia costuma desencadear um retorno ao local onde encontraram anteriormente esse odor. Esse tipo de memória associativa foi divinamente descrito pelo romancista francês Marcel Proust (1871-1922) na obra Em busca do tempo perdido.
Dada toda essa habilidade, por que quase todo mundo rejeita instintivamente a ideia de que abelhas ou outros insetos poderiam ser conscientes? O problema é que elas são diferentes demais de nós, humanos. Mas o simples fato de serem pequenas e viverem em colônias não quer dizer que não possam ter estados subjetivos, que não sintam a fragrância do néctar dourado ou calor dos raios solares ou, talvez, até possuiam um senso bastante rudimentar e primitivo do eu. Não estou argumentando a favor do pan psiquismo, da noção de que qualquer coisa seja consciente. Nem afirmo que abelhas possam raciocinar ou refletir sobre seu destino como os insetos dos desenhos animados.
O que esse dilema destaca é que não existe uma teoria aceita da consciência, nenhuma hipótese por princípios que nos informe quais sistemas, orgânicos ou artificiais, são conscientes e por quê. Na ausência dessa resposta, devemos, no mínimo, permanecer agnósticos sobre a consciência nessas criaturas. Portanto, na próxima vez em que uma abelha pairar sobre seu suco, afugente-a delicadamente, pois ela poderá ser um ser consciente como você, vivenciando o breve interlúdio na luz, espremido entre esse momento e a eternidade. (– Tradução Vera de Paula Assis) |
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| Christof Koch CHRISTOF KOCH é professor de biologia cognitiva e comportamental do Instituto de Tecnologia da Califórnia, onde ensina e faz pesquisas sobre a base neuronal da atenção visual e consciência há mais de duas décadas. |
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