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edição 177 - Outubro 2007
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Encontro com a alma no espaço virtual
Site na internet faz uma interessante conexão entre dois universos aparentemente incompatíveis: o mundo dos sonhos e o mundo virtual
por Silvia Graubart
[continuação]

Aproximação das imagens – Para restabelecer o contato com o ambiente e as imagens do sonho, sonhador e demais participantes do grupo são convidados a perceber as sensações corporais desencadeadas quando o sonho é contado pela primeira vez. Num segundo relato novas reações corporais podem surgir e as pequenas variações entre a escuta de uma e outra apresentação do sonho sugerem a direção que o trabalho deve tomar. Através de um exercício que recria o espaço do sonho e acessa diferentes níveis de realidade psíquica, o sonhador é levado a aprofundar a interação com essas imagens: uma espécie de reencontro com o mundo onírico, que se dá por meio de um cuidadoso questionamento não indutivo e não sugestivo, que ajuda o sonhador a intensificar progressivamente o foco nas imagens.

Com isso, quebra-se a supremacia do ego, que deixa de ser protagonista e dono da ação. A progressiva retomada do contato com as imagens do sonho remete o sonhador a sentimentos polarizados que desencadeiam sensações corporais contrastantes, enraizadas no núcleo do conflito. As imagens do sonho rompem as fronteiras da clínica convencional e o mundo inconsciente se apresenta atrelado à realidade do sonhador através de associações que despertam memórias relacionadas a sensações corporais, possibilitando ao sonhador continuar “sonhando” o sonho com a atenção flutuante entre a consciência desperta e a consciência das imagens. O espaço virtual, como um novo pano de fundo, amplia a habilidade dos participantes do grupo estar emocionalmente presentes, mesmo quando fisicamente ausentes. E esse contato que se estabelece com as imagens pode se constituir em mais uma alternativa para, independente de interpretação ou amplificação, intensificar a realidade do mundo inconsciente, que difere tanto da experiência imediata do sonho quanto da interpretação que possamos fazer dele.

Quanto mais o sonhador estiver focado nos eventos e no ambiente do sonho, mais emoções vão surpreendê-lo com sensações que se manifestam no corpo físico. Indo e voltando a essas imagens, circulando entre elas como se o sonho estivesse acontecendo novamente, torna-se possível tecer uma trama entre sensações e emoções, de um lado, e os eventos do sonho no seu próprio ambiente, de outro. Esse entrelaçamento de imagens provoca uma transformação na psique, na medida em que eliciam uma ampla seqüência de insights que mesclam emoção, sensações e fazem reverberar as imagens em outras imagens. Essa atividade auto-reguladora da psique permite que sentimentos polarizados possam ser revividos, levando a um novo estágio de compreensão ou a uma nova atitude consciente para solucionar o conflito por eles desencadeado. A esse movimento psíquico Jung dá o nome de função transcendente.
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Silvia Graubart é analista junguiana, jornalista, terapeuta sexual, membro da Associação Junguiana do Brasil (AJB), do Instituto Junguiano de São Paulo (IJUSP) e da International Association for Analytical Psychology, Zurique (IAAP).