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Artigos |
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| edição 177 - Outubro 2007 |
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| Encontro com a alma no espaço virtual |
| Site na internet faz uma interessante conexão entre dois universos aparentemente incompatíveis: o mundo dos sonhos e o mundo virtual |
| por Silvia Graubart |
[continuação]
Bosnak inverte a direção sugerida por esse conceito, ou seja, entende que o movimento acontece de cima para baixo, por isso propõe uma nova nomenclatura: função radical pela qual a psique, como o próprio nome indica, entende os sentimentos desencadeados por estados de consciência contrastantes como originários da mesma raiz que desencadeia o conflito. Para levar o sonhador a tomar consciência dessa polaridade, o trabalho de cyberdreamwork foca primeiro um dos pólos do conflito, identificando-o por meio das sensações corporais (físicas, auditivas, olfativas ou visuais) em torno deste estado, tornando-o mais vivo e real. É o que a psicologia junguiana entende pelo conceito de circumambulação: a exploração exaustiva ao redor das imagens, movimento que lhes confere mais força e permite que sejam mais facilmente identificadas no corpo.
Essa nova e ousada maneira de trabalhar com sonhos também abandona a noção freudiana da livre associação, por não circular a imagem e afasta-se da amplificação por acreditar que, freqüentemente, essa técnica também pode afastar o sonhador do contato imediato com as imagens. Poderíamos dizer que o cyberdreamwork vale-se mais da imaginação ativa, não no sentido de afastar o sonhador da imagem original, mas com a intenção de circunscrever seus limites. Por imaginação ativa, entendemos o método de assimilação dos conteúdos inconscientes através de alguma forma de auto-expressão, que pode ser corporal. Na mesma trilha da psicologia arquetípica, Bosnak propõe ao sonhador “ficar com a imagem”, dialogando com ela nos seus próprios termos, ou seja, com outras imagens. Para ele, a função radical – em direção às raízes – começa a tomar corpo quando estados de consciência contrastantes, que determinam o conflito, são suportados no corpo ao mesmo tempo: é o corpo da psique (as imagens inconscientes) gerando um movimento descendente, para baixo, em direção à alma. |
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| Silvia Graubart é analista junguiana, jornalista, terapeuta sexual, membro da Associação Junguiana do Brasil (AJB), do Instituto Junguiano de São Paulo (IJUSP) e da International Association for Analytical Psychology, Zurique (IAAP). |
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