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Artigos |
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| edição 191 - Dezembro 2008 |
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| Entre o sonho e a ficção |
| Conexão entre criação literária e a fantasia pode surgir nos sonhos; o mundo onírico abre as portas do inconsciente e traz respostas para o escritor |
| por Moacyr Scliar |
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| DETALHE DE A RECONCILIAÇÃO DE OBERON E TITANIA, 1847, ÓLEO SOBRE TELA DE JOSEPH NOEL PATON / GALERIA NACIONAL DA ESCÓCIA, EDINBURGO |
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Há exatos 100 anos, em 1908, Sigmund Freud deu uma palestra (depois transformada em texto) intitulada Ficcionistas e seus devaneios. Nela, o pai da psicanálise enfatizava a conexão entre criação literária e fantasia, que, no ser humano pode surgir de várias maneiras, através de devaneios, de sonhos. Essa conexão explica a razão pela qual, desde há muito, a literatura fala sobre o sonhar. Para começar, na Bíblia as narrativas sobre sonhos são numerosas, mas o mesmo ocorre em narrativas míticas, folclóricas, o que levou Joseph Campbell a afirmar: “Mitos são sonhos públicos, sonhos são mitos privados”.
Os grandes escritores trabalharam muito com a idéia do sonho, e Shakespeare é disso um exemplo. Afinal, foi ele quem disse, em A tempestade: “Somos feitos da mesma matéria que os nossos sonhos”. O tema é recorrente na obra shakesperiana; uma de suas peças tem como título Sonho de uma noite de verão. Ali há um mundo da realidade (a cidade de Atenas) e um dos sonhos, povoado por fadas e elfos, ambos os mundos interagindo constantemente. Muitos dos sonhos shakesperianos têm caráter premonitório. Assim, antes do assassinato de Júlio César, na peça do mesmo nome, sua esposa Calpúrnia vê, em sonhos, a estátua de César, da qual o sangue jorra “por 100 orifícios”. |
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 | Moacyr Scliar é médico, escritor e membro da Academia Brasileira de Letras. |
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