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Artigos |
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| edição 196 - Maio 2009 |
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| Espaço de equilíbrio |
| Psicólogos da Universidade Yale fazem testes para descobrir como características ambientais provocam diferentes reações; eles já constaram que em cômodos abafados e lotados tendemos a considerar qualquer experiência mais desagradável do que se estivéssemos em um local amplo e confortável |
| por Way Herbert |
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© MARTIIN || FLUIDWORKSHOP/SHUTTERSTOCK |
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Não desprezo assuntos como canais energéticos, cristais e acupuntura, mas também não endosso essas práticas – simplesmente aguardo provas. Devo admitir, porém, que há uma prática não comprovada cientificamente que, para mim, sempre teve certo apelo intuitivo. Trata-se do feng shui, a antiga arte chinesa da ambientação, baseada na crença de que o espaço, a distância e a disposição dos objetos podem afetar as emoções e a sensação de bem-estar. Pessoalmente, a idéia faz sentido para mim: sinto-me mais equilibrado psicologicamente em alguns espaços que em outros, embora não saiba por quê. Alguns psicólogos já admitem a conexão entre o espaço físico, o pensamento e a emoção, considerando que nossos vínculos, muitas vezes, se misturam à percepção da geografia espacial.
Dois psicólogos da Universidade Yale, nos Estados Unidos, decidiram explorar o poder dessa habilidade humana no laboratório, para verificar se a influência emocional de um espaço ordenado e aberto é diferente do efeito causado por um ambiente fechado e apertado. Lawrence E. Williams e John A. Bargh exploraram a questão em uma série de experimentos. As pesquisas começaram com o chamado estímulo subliminar, usado para criar uma atitude ou sensação inconsciente. Foi empregada uma técnica simples e eficaz: as pessoas deviam dispor dois pontos em um gráfico, como em um pedaço de papel diagramado. Em alguns casos, as marcações estavam bem próximas, enquanto em outros os pontos apareciam em lugares distantes. Sabe-se que o exercício estimula a percepção inconsciente de espaço congestionado ou amplo.
Em seguida, os pesquisadores testaram os indivíduos de outras formas. Em um procedimento, por exemplo, os participantes deviam ler um trecho embaraçoso de um livro e, logo após, eram indagados se a passagem era agradável ou divertida e se gostariam de ler mais sobre o gênero. Williams e Bargh queriam determinar se o senso de distância ou liberdade psicológica podia anular o desconforto emocional. Foi exatamente isso que ocorreu. Os voluntários estimulados pelo ambiente espaçoso se mostraram menos perturbados pela experiência embaraçosa, considerando-a mais agradável do que aqueles que tiveram percepção mais opressiva do mundo. |
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| Way Herbert é diretor da Association for Psychological Science, nos Estados Unidos. |
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