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edição 178 - Novembro 2007
Fugindo das armadilhas da rede
Apesar da grande quantidade de informações sobre psicologia e medicina oferecidas pela internet e da facilidade para acessá-las, convém tomar algumas precauções ao recorrer a esse serviço
 
© Istockphotos
Procurando informações sobre medicina e psicologia? A internet oferece uma quantidade imensa de dados sobre esses assuntos. O site de busca Google, por exemplo, apresenta nada menos que 2.920.000 referências em português à palavra psicologia, 2.530.000 citações de cérebro, 750 mil de psicoterapia e mostra 440 mil opções de consulta da expressão tratamento médico. Naturalmente, nem todas essas indicações apresentam conselhos ou orientações de especialistas, mas em um universo tão amplo certamente há muitos sites que o fazem – de forma explícita ou não. Sem dúvida, a facilidade e rapidez de acesso aos dados, a fartura de material disponível, além da garantia de privacidade do internauta são bastante atraentes. Mas como saber em quais informações podemos confiar?

“A neutralidade da fonte da informação é imprescindível”, afirma a professora de filosofia Yvonne Raley, que pesquisa os mecanismos do raciocínio moral e prepara um livro sobre o tema a ser lançado em 2008, nos Estados Unidos, pela Oxford University Press. “A orientação em geral é mais confiável quando oferece opções sem a contrapartida de um ganho financeiro (ou outra vantagem) para quem fornece a informação. Devemos desconfiar do especialista que tenha interesse pessoal direto, como do médico filiado à empresa que vende o fármaco que ele recomenda, por exemplo”, afirma. Ela reconhece, porém, que não é realista esperar neutralidade total: “Um médico pode ter participado de uma determinada pesquisa e, por causa dessa experiência, estar convencido da eficácia do medicamento. Por isso, devemos avaliar com cuidado as credenciais do especialista”.

Para isso, as primeiras perguntas a serem feitas são sobre o percurso profissional da pessoa que nos fornece as informações: qual sua área de formação e especialização? O profissional está vinculado a alguma instituição voltada à pesquisa? “Em muitos casos, é possível perceber a falácia: se a pessoa consultada não é especialista no campo em questão surge o primeiro motivo para o internauta ficar desconfiado”, alerta a professora.
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