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Artigos |
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| edição 197 - Junho 2009 |
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| J. D. Nasio - O tradutor da psicanálise |
| Aos 67 anos, o psiquiatra e psicanalista argentino, radicado na França desde 1969, tem 18 livros publicados e traduzidos em 13 idiomas; seu novo trabalho é sobre imagem corporal |
| por Laura Battaglia |
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© COLLECTION BOURGERON/RUE DES ARCHIVES |
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| Jacques Lacan |
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[continuação]
Após breve contato com a terapia sistêmica, iniciou sua análise pessoal com o kleiniano Emiliano Del Campo. Em 1966, conheceu a obra do filósofo marxista Louis Althusser, francês de origem argelina, e encontrou ali referências a um psicanalista gaulês. Curioso, perguntou-se quem era Jacques Lacan e, sem saber ler francês na época, passou a reunir-se regularmente com amigos que traduziam seus textos. Foi assim que se tornou um dos primeiros a se dedicar aos seus estudos na Argentina, ao mesmo tempo que se aprofundou na obra freudiana. Decidido a aprender com Lacan, ao término da residência em psiquiatria conseguiu uma bolsa de estudos do governo francês.
Estudioso e entusiasta, J. – D. Nasio deixou-se influenciar de tal modo pelos estudos lacanianos que encontrou no próprio Lacan (com quem fez supervisões clínicas durante seis anos) um admirador de seu trabalho. Tal proximidade levou o mestre a pedir-lhe, em 1978, que fizesse a revisão da tradução de seus Escritos para o espanhol, versão que apresentava dois equívocos e que afetavam o seu rigor, na opinião autor. Primeiro, o título dado pela editora do livro – Leitura estruturalista de Freud, em vez de Escritos – fugia completamente à aceitação de Lacan, pois comprometia e reduzia os propósitos de seu trabalho. Segundo, embora tivesse sido traduzido por um grande conhecedor das línguas francesa e espanhola, o texto pecava por um “poetismo” que dirimia a exatidão dos conceitos. O trabalho de tradução de Nasio foi acompanhado de perto por Lacan.
No ano seguinte, Lacan o convidou para falar em seu lugar no seminário que oferecia anualmente. Situações como esta em que Nasio foi reconhecido por seu trabalho rigoroso e dedicação à psicanálise já haviam se dado em sua chegada a Paris, quando participou de um seminário de Serge Leclaire, que posteriormente lhe pediu um artigo para integrar seu livro; ou quando o prêmio Nobel de matemática René Thom solicitou-lhe um curso sobre topologia lacaniana para um grupo de cientistas de Bures-sur-Yvette. Estes fatos fizeram da França não um lugar temporário de estudos, mas sua morada permanente. O reconhecimento de seus esforços suplantou também seu campo de atuação, levando-o em 1999 a receber do governo francês a mais alta homenagem por ele conferida, Chevalier de La Légion d’Honneur, e em seu país natal, a condecoração da cidade de Rosário. |
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| Laura Battaglia é psicanalista, mestre em psicologia pela Universidade de São Paulo (USP), com especialização pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). |
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