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Artigos |
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| edição 197 - Junho 2009 |
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| J. D. Nasio - O tradutor da psicanálise |
| Aos 67 anos, o psiquiatra e psicanalista argentino, radicado na França desde 1969, tem 18 livros publicados e traduzidos em 13 idiomas; seu novo trabalho é sobre imagem corporal |
| por Laura Battaglia |
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ARCHIVES OF THE MATHEMATISCHES FORSCHUNGSINSTITUT OBERWOLFACH |
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| René Thom, Prêmio Nobel de Matemática, pediu a Nasio um curso sobre topologia lacaniana para um grupo de cientistas |
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[continuação]
A francesa Françoise Dolto, pediatra de formação, foi outra psicanalista importante em sua trajetória e formação. Os dois se tornaram amigos logo que Nasio chegou a Paris, mas só nos anos 80 ele se interessou por suas posições teóricas, após conhecer mais de perto o trabalho clínico que desenvolvia com crianças órfãs, institucionalizadas. A convite de Dolto, ele passou a integrar um grupo de analistas que a acompanhavam nos atendimentos. Nesta oportunidade, retomou o trabalho com crianças, abandonado desde que deixara de atender no Hospital Lanús, na Argentina, ao término da especialização em psiquiatria. Ele entrava na sala de atendimento junto com o paciente e com Dolto, que efetivamente fazia as análises, e ali observava, escutava e, quando solicitado por ela, participava das atividades com os pacientes e intervinha. Ele denominou esta experiência “análise de crianças a céu aberto”, uma vez que o setting de atendimento era diferente daquele do consultório – mas todos os princípios fundamentais da psicanálise estavam preservados, garantindo a eficácia do trabalho. A parceria entre Nasio e Dolto rendeu o livro A criança do espelho (Zahar) publicado em 1987.
Para Nasio, a análise infantil é mais difícil do que a de pacientes adultos – embora muitas vezes seja mais rápida – pois a criança não diz em palavras o que sente. Em vez disso, anda pela sala, movimenta-se, desenha. Atender uma criança não é jogar ou brincar com ela (assim como atender um adulto não é conversar com ele), mas escutá-la naquilo que manifesta com seu corpo e, para que esta escuta seja efetiva e eficaz, o analista tem de se entregar à relação. Neste sentido, Nasio não acredita que a psicanálise seja a única técnica eficaz no tratamento dos sofrimentos psíquicos, porque esta eficiência não está dada simplesmente pelo método teórico e pela técnica, mas pela postura e comprometimento do profissional com a cura do paciente. |
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| Laura Battaglia é psicanalista, mestre em psicologia pela Universidade de São Paulo (USP), com especialização pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). |
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