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edição 176 - Setembro 2007
Mentes aprisionadas
Pesquisas com imageamento cerebral ajudam médicos a identificar pacientes em estado vegetativo com chance de recuperação
por Karen Schrock
Divulgação
Em Fale com ela (2002), de Pedro Almodóvar, duas mulheres entram em estado vegetativo depois de acidente. As personagens têm destino diferentes: a bailarina Alicia (à esquerda) se recupera e a toureira Lydia, não
O paciente abre os olhos, sem expressão alguma. Ele está vigilante, mas não têm consciência do que acontece ao seu redor. Há meses permanece assim, não-responsivo, desde o terrível acidente. Será capaz de pensar?

Em breve talvez possamos nos comunicar com essas mentes enclausuradas, aprisionadas num corpo que não mais reage ao controle mental. Imagens divulgadas no fim de 2006 por pesquisadores da Universidade de Cambridge mostravam o cérebro de uma mulher em estado vegetativo, indicando que ela estava vigilante e, para surpresa geral, consciente. Mais recentemente, a mesma equipe desenvolveu um método para fazer perguntas que podiam ser respondidas com sim ou não a pacientes que pareciam ter poucas chances de recuperação. “Podemos detectar se o indivíduo está consciente, e nos comunicar com ele, sem que tenha de dizer alguma coisa ou mover qualquer parte do corpo”, diz o médico Adrian Owen, coordenador da pesquisa.

Segundo Owen, até hoje os médicos investiram pouco nesses pacientes, na crença de que nada podia ser feito além dos cuidados paliativos que os mantêm alimentados, limpos e confortáveis até a hora da morte. Vez por outra, porém, um deles desperta inesperadamente, sem que se conheçam os fatores que contribuíram para a recuperação. Sempre foi muito difícil e impreciso estimar as chances da pessoa com transtorno de consciência (em coma ou estado vegetativo) voltar à vida normal.
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Karen Schrock é jornalista e editora da revista Scientific American Mind.