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Artigos |
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| edição 150 - Julho 2005 |
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| O delírio de Galeno |
| No século II, o médico grego definiu alucinação e ilusão ao distinguir os delírios da razão e dos sentidos. |
| por Isaias Pessotti |
[continuação]
É um caso de delírio dos sentidos, mas não de delírio da razão, segundo Galeno. Pelo critério de Esquirol, seria um episódio de alucinação, pois os fiapos não existem, e há a convicção de uma sensação realmente percebida. Mas aqui existe a consciência de que essa percepção é enganosa. O critério discriminante, entre os dois tipos de delírio, para Galeno, é a consciência da falsidade da percepção alucinatória, no delírio dos sentidos, e a ausência dela no delírio da razão. Sem prejuízo de haver a "convicção íntima de uma sensação realmente percebida". A diferença de critérios se explica: como bom discípulo de Pinel, Esquirol enxerga alucinação e ilusão como erros, incoerências entre a experiência sensorial e a realidade objetiva. Galeno, como bom seguidor de Platão, procurou apontar o papel da razão, da "faculdade crítica", ou seja, da consciência da percepção, em cada um deles.
O que Esquirol chamaria de alucinação seria para Galeno um delírio da razão. Há alucinação quando se perde a "faculdade crítica"; mesmo quando a percepção errada se refere a um objeto real e presente. Mesmo nos casos que Esquirol consideraria ilusões. |
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| Isaias Pessotti é escritor e ex-professor titular de psicologia da Faculdade de Medicina da USP, em Ribeirão Preto. É autor de Os nomes da loucura e O século dos manicômios. |
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