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edição 185 - Junho 2008
O perigo das alturas
Profissionais ou amadores, alpinistas de grandes altitudes sabem bem os riscos que correm ao praticar o esporte; a maioria, porém, desconhece os danos que o ar rarefeito pode causar ao cérebro
por Douglas Fields
© Radoslav Stoilov/Shutterstock
No final dos anos 1890, em um laboratório a 4.554 metros de altitude, num pico da cadeia de Monte Rosa, nos Alpes italianos, o fisiologista Angelo Mosso fez a primeira observação direta dos efeitos da altitude elevada no cérebro humano. Mosso examinou, a olho nu, a caixa craniana de um homem cujo cérebro havia sido parcialmente exposto em um acidente e registrou mudanças em sua intumescência e pulsação.

Recentemente, foi feita uma nova experiência, utilizando técnicas não-invasivas de imageamento cerebral. Para aqueles que, como eu, gostam de escalar, os resultados não foram animadores. O neurologista Nicolás Fayed e seus colegas de Zaragoza, na Espanha, fizeram um rastreamento, com ressonância magnética, em 35 montanhistas (12 profissionais e 23 amadores) que haviam retornado de expedições a picos de grandes altitudes. Entre eles, 13 haviam tentado escalar o Everest. Os resultados apontaram que os alpinistas de grandes altitudes – sejam esportistas de fim de semana ou profissionais experientes – ao voltar de sua aventura apresentam algum tipo de dano cerebral.

EFEITOS DURADOUROS
Embora a tolerância de uma pessoa à hipoxia (falta de oxigênio) varie de acordo com o condicionamento psicológico e físico inato, nenhum alpinista está imune a ela. Seus efeitos podem ser agudos, afetando o cérebro apenas durante a escalada em alta altitude ou duradouros, como apontou o estudo de Fayed.
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Douglas Fields é neurobiologista.