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edição 148 - Maio 2005
Restaurador de movimentos
Na Universidade Duke, Miguel Nicolelis combina robótica e neuroengenharia para criar próteses neurológicas capazes de devolver mobilidade a pacientes.
 
Conheci Miguel Nicolelis em 1994, quando ele se tornou professor assistente do Departamento de Neurobiologia da Universidade Duke, na Carolina do Norte. Desde então tenho acompanhado de perto a ascensão meteórica de sua carreira, que em pouco mais de uma década o transformou em um cientista profundamente influente. Não tenho a menor dúvida de que sua pesquisa teve, tem e terá um extraordinário impacto mundial na neurociência, na neuroengenharia e na fisiologia de múltiplos eletrodos. As importantes implicações sociais e médicas de seu trabalho em neuropróteses são também inestimáveis.

Nicolelis cursou a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, onde fez doutorado em neurofisiologia, sob a orientação de Cesar Timo-Iaria. Foi um dos primeiros de sua turma de graduação e recebeu o prêmio Oswaldo Cruz, máxima honraria para um estudante de medicina no Brasil, por sua pesquisa sobre as conseqüências neurológicas da poluição do ar.

Naquele momento, ponderou sobre o que fazer com sua carreira; após muitas considerações, decidiu ir para os Estados Unidos perseguir seu sonho de compreender o cérebro. Chegou ao país em fevereiro de 1989, com a esposa e o filho recém-nascido. Porém, esquecendo-se de que quando é verão no Brasil é inverno no Hemisfério Norte, chegou a Filadélfia sem um bom casaco para o frio. Apesar desse início pouco auspicioso, logo trabalhava a todo o vapor como estudante de pós-doutorado no laboratório de John Chapin na Universidade Hahnemann. Juntos, desenvolveram um método que revolucionou a maneira como os cientistas estudam a atividade das células neuronais em animais não anestesiados.

Esse método, conhecido como registro com multieletrodos, permite medir simultaneamente a atividade elétrica de centenas de neurônios, distribuídos por múltiplos componentes de um circuito neural, enquanto os animais aprendem a realizar novas tarefas sensorimotoras e cognitivas.
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