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edição 195 - Abril 2009
Segredos do cavalo-marinho
O hipocampo, um dos centros de processamento da memória, pode também ter papel importante na capacidade de fantasiar e desenvolver idéias
por Andre Fenton
© STEPHEN MOORE/ISTOCKPHOTO
Os neurologistas são unânimes ao afirmar que o hipocampo (uma região do cérebro que recebe esse nome por causa de seu formato, que lembra o de um cavalo-marinho) é crucial para a memória. Mas os estudiosos divergem amplamente sobre como o ser humano cria e gerencia as recordações, e principalmente, sobre como esse processo cognitivo se desenvolve. Recentemente, essa polêmica foi vista de um novo ângulo: não seria o hipocampo fundamental também para a imaginação? Além de propor um novo papel para essa área cerebral, a descoberta sugere a existência de um mecanismo de “construção narrativa”, comum à memória, à imaginação e ao pensamento. Tal hipótese abre novas e interessantes perspectivas. Imagine, por exemplo, que você recebeu um convite para fazer um cruzeiro ao Caribe; segundo o cientista Demis Hassabis, aceitar esse convite é impossível sem envolver o hipocampo na decisão. O primeiro estudo publicado pelo pesquisador sobre esse assunto examina objetivamente as bases neurológicas do processo de imaginação dos fatos, que no jargão neurocientífico é chamado “construção”.

Hassabis afirma que para imaginar um evento são necessárias algumas operações usadas na recordação de situações, como algum grau de fantasia e a recuperação seletiva de informações relevantes da memória factual ou semântica. O estudo parte da hipótese de que a construção requer consciência da organização narrativa, temporal e espacial da experiência imaginada, ou seja, dos mesmos elementos estruturais importantes para recuperar episódios da memória autobiográfica.
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Andre Fenton é assistente de fisiologia e farmacologia do Downstate Center da Universidade de Nova York.