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edição 195 - Abril 2009
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Segredos do cavalo-marinho
O hipocampo, um dos centros de processamento da memória, pode também ter papel importante na capacidade de fantasiar e desenvolver idéias
por Andre Fenton
[continuação]

Podemos excluir as diferenças de inteligência e instrução, pois pesquisadores asseguraram que essas variáveis fossem similares nos pacientes e nos voluntários do grupo de controle. Já o método seguido para eliminar os controles referentes à memória por meio de experiências reais, antes mesmo de imaginá-las, pode parecer menos convincente. Para impedi-los de recorrer à memória, os estudiosos pediram que imaginassem cenários anônimos, novos, e que não usassem recordações pessoais. Mas é fácil dizer, o difícil é fazer. E bem mais complexo verificar. Quando procurei imaginar-me, por exemplo, num museu, descobri que estava confiando nas minhas referências individuais. O salão de ingresso do meu museu imaginário baseava-se nas minhas recordações do Museu de História Natural de Washington, os objetos expostos no Museu Nacional de Praga, na República Tcheca, os visitantes do Tate Modern de Londres e a luminosidade da Galeria Nacional do Canadá, em Ottawa. A minha experiência era construída com fatos e elementos de experiências reais: reingressava na letra das leis do experimento, mas era contrária ao meu espírito. Se tivesse participado do teste, teria jurado que isso não era uma recordação pessoal e nem mesmo que se embasava na memória episódica.

O sinal característico da amnésia causada por danos no hipocampo é uma grave deficiência para a recuperação das lembranças episódicas. Assim, essa falha que limitou o número de fatos vivenciados, não seria o alimento da imaginação?A descoberta central da pesquisa teria evoluído mais se fosse acompanhada de outros testes. Todavia, este estudo é um ponto de partida para novas e interessantes pesquisas, e se os seus resultados forem ampliados, e confirmados, é possível que surja um novo modo de conceber o hipocampo e as suas funções. Acredito que o hipocampo, essa área cerebral, seja crucial para a imaginação. Mas sem experimentos adequados, por enquanto, só é possível – do ponto de vista científico – aceitar uma explicação mais modesta dos resultados referidos: o hipocampo é essencial para recuperar as recordações dos fatos ligados às experiências, ou seja, das situações vividas. Mas nada nos impede de imaginar que novas descobertas estão por vir.

Tradução de Tatiana Fonseca Oliveira
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Andre Fenton é assistente de fisiologia e farmacologia do Downstate Center da Universidade de Nova York.