|
 |
|
 |
|
 |
|
 |
|
|
|
 |
Artigos |
|
|
| edição 156 - Janeiro 2006 |
 |
|
| Sujando a memória de Allende |
| Estudo publicado na espanha e no chile acusa ex-presidente chileno de anti-semitismo e distorce as idéias de salvador allende sobre medicina higienista, eutanásia e homossexualismo. |
| por Elisabeth Roudinesco |
Ainda guardamos na lembrança a confusão que Víctor Farías, professor da Universidade Livre de Berlim e ex-aluno de Martin Heidegger, causou no seio da comunidade intelectual francesa, ao publicar, em 1987, um livro no qual pretendia interpretar o conjunto da obra do filósofo alemão pelo apoio de Heidegger ao regime nazista. Sua metodologia era no mínimo discutível pois consistia em validar convicções íntimas sem questioná-las ao mesmo tempo que arrogava uma abordagem arquivística acadêmica.
Como de fato Heidegger havia sido nazista e, desde 1945, inúmeros trabalhos traziam novas provas disso, Farías obteve grande simpatia na França. Tomado por essa paixão de vingança, colocou na cabeça, em seu último livro, que iria dessacralizar a história de seu país de origem. Desta vez, pretendendo provar que Salvador Allende, morto em 11 de setembro de 1973, após ter combatido a junta militar dirigida por Augusto Pinochet, na realidade seria adepto da solução final, anti-semita, homofóbico e perseguidor das raças inferiores; enfim, um nazista disfarçado de socialista.
Para compreender como Farías pôde chegar a tal desvio, é necessário voltar a 1933. O jovem Allende, então com 25 anos, defende na Universidade de Santiago tese para a obtenção do diploma de medicina. Já engajado na esquerda socialista, ele havia escolhido como tema higiene mental y delincuencia. A dissertação está disponível no site da Fundação Salvador Allende(www.mssa.cl/fundacion). |
|
1 2 3 4 » |
| Elisabeth Roudinesco é diretora de pesquisa do Departamento de História da Universidade de Paris VII. |
|
|
|
|
|
|
|
|