Crianças com diagnóstico de transtorno do déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) habitualmente recebem prescrições de estimulantes como o metilfenidato, conhecido pela marca Ritalina, rejeitado com veemência por muitos pais e terapeutas. Na conversa com o psicólogo Manfred Döpfner e o pediatra Dietrich Schultz discute-se o melhor caminho para ajudar quem sofre do transtorno.
VM&C: PROFESSOR DÖPFNER, DOUTOR SCHULTZ, O TDAH É UM DIAGNÓSTICO DA MODA? DIETRICH SCHULTZ: De certa forma, sim. Nos anos 80, o TDAH foi definido pela primeira vez como quadro clínico nos Estados Unidos e incluído no manual de diagnósticos. Depois disso, os seguros-saúde tiveram de arcar com os custos do tratamento, o que fez com que o número de casos aumentasse rapidamente. Visto por esse ângulo, o TDAH é um produto da moderna indústria médica. Mas o quadro clínico em si existe há muito tempo. Só que antes recebia outros nomes, como "síndrome psico-orgânica" ou "disfunção cerebral mínima". MANFRED DÖPFNER: TDAH não é um produto da indústria médica. Existem realmente crianças com fortes traços de hiperatividade, impulsividade e falta de atenção, e TDAH descreve esse quadro melhor que outros termos. No entanto, mais importante que saber se é ou não "diagnóstico da moda" é definir a partir de que momento torna-se necessário o tratamento. Em casos extremos, o diagnóstico é de certa forma fácil. Mas o que acontece caso os sintomas sejam mais sutis - o que é normal nesses casos e o que não é? Quando se trata do TDAH, os sintomas em crianças de uma certa faixa etária são evidentes apenas em uma pequena porcentagem delas. O que ocorre é que o transtorno hoje é diagnosticado em um número significativamente maior de pacientes: de acordo com a rigidez dos critérios utilizados, a freqüência do diagnóstico pode variar entre 1% e 15%! |