Dossiê
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Dossiê: Tramas de amor e desejo - Imagens de um cérebro apaixonado
Com ajuda da ressonância magnética funcional, pesquisadores descobriram como o amor subverte nossa vida emocional
por Andreas Bartels e Semir Zeki
BARTELS & ZEKI
O AMOR NOS TORNA FORTES: Sensações amorosas parecem desativar diversas regiões cerebrais responsáveis por emoções negativas – por exemplo, áreas no lobo frontal anterior direito e partes da amígdala, ativadas em caso de medo, tristeza e agressões.
[continuação]

Como medida de controle, os voluntários observaram fotos de três colegas do mesmo sexo e idade que seus parceiros. Além disso, a foto do parceiro não tinha detalhes específicos e um observador de fora não deveria poder diferenciar esta foto das outras. Comparamos a atividade cerebral nas duas situações distintas.

Quatro áreas diferentes, bem pequenas, se iluminavam apenas quando os participantes pensavam carinhosamente nos parceiros. Todas elas se localizavam espelhadas nas duas metades do cérebro no chamado sistema límbico, que controla as emoções em geral. Por sua vez, não encontramos diferenças significativas da atividade no córtex óptico entre a reação às fotos do parceiro e às de colegas. Ao que parece, então, o “cérebro visual” apenas transmite a informação objetiva ao “cérebro emotivo”.

A imagem da atividade no sistema límbico diferenciava-se claramente de modelos antes encontrados em estudos da emoção no contexto de sensações positivas. No caso das quatro áreas ativadas, trata-se, então, efetivamente de algo como módulos de amor especializados. Provavelmente, cada um deles tem uma função específica, sobre a qual por ora podemos apenas especular. Assim, por exemplo, drogas estimulantes como a cocaína ativam áreas bem mais extensas no ser humano, incluindo os quatro módulos do amor que identificamos. Pode-se concluir que o amor representa apenas uma parte dos estados eufóricos, do ponto de vista não apenas psicológico, mas também neuronal.

Além disso, essas zonas distinguem o amor da pura excitação sexual. Com efeito, o desejo estimula regiões do hipotálamo que nas nossas experiências ficavam inativas. Por outro lado, o amor sensual parece ativar o núcleo caudado e o putâmen, regiões onde estão dois de nossos módulos do amor. Talvez eles tragam o elemento erótico para o amor romântico.
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Andreas Bartels e Semir Zeki são pesquisadores do University College de Londres.