Mente Cérebro
Clique e assine Mente Cérebro
Multimídia

O que dizem os crânios

Novo software tridimensional ajuda cientistas forenses a identificar o sexo e as origens ancestrais de restos humanos com maior velocidade e precisão

novembro de 2014
Anna Kuchment
Como os detetives das séries de TV, a antropóloga Ann H. Ross, pesquisadora da Universidade da Carolina do Norte, passa muitos dias refletindo sobre crimes sem solução. Seu trabalho mais recente busca desenvolver um software que ajude os cientistas forenses a determinar o sexo e a ancestralidade de crânios humanos modernos. Em geral, os cientistas que trabalham nessa área medem os restos encontrados com réguas deslizantes denominadas compassos de calibre. Essa ação resulta em medidas bidimensionais.

O software 3D-ID, desenvolvido com apoio do Departamento de Justiça dos Estados Unidos , baseia-se em medidas tridimensionais que os cientistas tomam com um digitalizador – um computador e um tipo de buril (instrumento de aço com ponta cortante em V é usado para gravar em metal ou madeira  por meio de traços afiados).  “O buril permite colocar as coordenadas no espaço real, para ter uma ideia mais clara da forma original da estrutura biológica”, explica a antropóloga.

Trabalhando com uma amostra de crânios encontrados na Espanha, a pesquisadora e sua equipe fizeram recentemente uma descoberta que provavelmente se aplique a outros grupos populacionais: desde o século 16, o crânio das mulheres vem crescendo em tamanho, aproximando-se do tamanho de crânios masculinos. Ao contrário dos softwares forenses mais antigos, o 3D-ID permite que os cientistas retirem o componente “tamanho” de sua análise e observem apenas a forma – e, assim, consigam uma leitura mais precisa. 
  • As fotografias mostram algumas características que o 3D-ID usa para determinar se o crânio pertence a um homem ou a uma mulher
  • As fotografias mostram algumas características que o 3D-ID usa para determinar se o crânio pertence a um homem ou a uma mulher