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\\`Sexto sentido\\` permite avaliar gestos dos outros

março de 2006
O que acontece quando nosso "sexto sentido", a propriocepção, falha e paramos de sentir nosso corpo?

Uma doença rara, a polineurite viral, é responsável por uma verdadeira "pane" motora: informações sobre os músculos e articulações que permitem os movimentos das pernas e dos braços não chegam mais ao cérebro. A falta de resposta das extremidades do corpo pode fazer com que o paciente não consiga mais andar ou ficar em pé.


Assim viveu o britânico Ian Waterman por mais de 30 anos. Para surpresa de seus médicos, com o tempo o paciente aprendeu a comandar seus movimentos com o olhar, compensando assim a falta de percepção corporal. Waterman voltou a andar. Há pouco tempo, o paciente freqüentou o Instituto Max-Plank de Cognição e Neurociência de Munique.

Ali, a psicóloga Simone Bosbach mostrou a Waterman videoclipes curtos, que apresentavam cenas de pessoas levantando diferentes tipos de caixas. De acordo com o movimento observado, ele deveria sugerir o peso de cada pacote.

A pesquisadora pediu aos atores do vídeo que fingissem algumas vezes: eles simulariam carregar um peso de 18 kg, quando na verdade o peso era de apenas 3 kg. Os atores não conseguiram esconder a farsa durante todo o tempo e suas expressões, ora de leveza, ora de sofrimento, oscilavam de forma visível. Pessoas saudáveis reconhecem essa discrepância com facilidade. Ian Waterman, porém, não conseguia perceber a diferença entre carregar algo leve ou pesado.

Logo, para interpretar o significado do movimento dos outros, precisamos de nossa propriocepção como referência. Isso significa que, para se imaginar no lugar do outro, devemos antes ter a experiência física e sensorial do movimento.