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A arte-manifesto dos irmãos grafiteiros

Requinte estético e crítica social da obra de OSGEMEOS podem ser conferidos em Curitiba

dezembro de 2008
DIVULGAÇÃO
Chuva de verão: pinturas de tons fortes e coloridos, cenas fantásticas e extraídas de sonhos se misturam à realidade cotidiana e resgatam o infantil que habita em nós
Impossível não se deixar seduzir pelo olhar cândido das personagens de aspecto lúdico que protagonizam festas folclóricas, histórias fantásticas ou cenas oníricas, mas também a desigualdade social e a violência que paira nas sociedades contemporâneas, presentes na refinada arte urbana dos irmãos grafiteiros, Gustavo e Otávio Pandolfo, conhecidos como OSGEMEOS. Da parede da sala da casa em que viviam com os pais no bairro do Cambuci, em São Paulo, sua obra ganhou, nos anos 80, os muros da capital paulista, até chegar a renomadas galerias e museus dos Estados Unidos e Europa, enfeitando até a fachada inteira de um castelo na Escócia. Hoje, além de obras bidimensionais, eles têm se dedicado a instalações e esculturas, sempre pautadas por temas ligados ao cotidiano, às manifestações folclóricas brasileiras (como as festas juninas e o carnaval), aos relacionamentos e às contradições humanas e sociais.

A produção mais recente da dupla pode ser conferida na exposição Vertigem, em Curitiba, com nove trabalhos inéditos – seis painéis de mais de 1,5 metro cada, duas esculturas e uma instalação. Nas obras tridimensionais, as figuras humanas, predominantemente amarelas ou vermelhas, vestidas com minuciosas padronagens, são pintadas sobre suportes dos mais variados.

A instalação Os músicos, por exemplo, traz 30 caixas de som e instrumentos musicais que podem ser tocados pelo público. Já as esculturas, uma masculina e outra feminina, ainda não têm nome. A primeira, tem cabeça e braços sobre um chassi de fusca e movimentos mecânicos de olhos e boca; a segunda, é um rosto de mulher pintado sobre um cubo suspenso de madeira, em cujo interior o visitante encontra espelhos que o remetem “ao próprio eu”, segundo Gustavo.

Se, de um lado, a arte-manifesto dos gêmeos é pautada por grande requinte estético e crítica política e social, de outro, resgata aspectos infantis que habitam todos nós: aquela trama subjetiva que ancora fantasias, sintomas ou sonhos e fomenta, cotidianamente, o desejo humano de recriar a realidade ao nosso redor.