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A arte abraça a loucura

Em cartaz no Museu de Arte do Rio, Lugares do delírio reúne obras de artistas como Bispo do Rosário e Lygia Clark – o fio condutor da mostra é a reflexão sobre o conceito de sanidade mental

abril de 2017
Da redação
DIVULGAÇÃO
Um dos maiores artistas brasileiros viveu por mais de 50 anos em um hospital psiquiátrico no Rio de Janeiro. Diagnosticado com esquizofrenia, Arthur Bispo do Rosário encheu sua cela na antiga Colônia Juliano Moreira com roupas, barcos e assemblages feitos de lixo. E ele não é o único artista plástico que viveu em instituições psiquiátricas: há o gaúcho Luiz Guides, autor de desenhos geométricos com tinta guache, morador do Hospital Psiquiátrico São Pedro, em Porto Alegre. Ou o cearense Maurício Flandeiro, que constrói miniaturas lúdicas de navios, oratórios e castelos com metais descartados. Em cartaz no Museu de Arte do Rio, a mostra Lugares do delírio reúne trabalhos desses e outros artistas, alguns mais, outros menos conhecidos do grande público, mas que têm em comum a fusão de arte e loucura em suas obras ou em sua trajetória de vida. “A intenção é colocar em suspenso a delimitação entre o normal e o dito ‘louco’”, diz a curadora Tania Rivera, psicanalista e professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), que selecionou cerca de 150 trabalhos dentro dessa temática. Um dos destaques é Camisa de força (1969), de Lygia Clark, artista conhecida por seus objetos relacionais – peças feitas com materiais cotidianos, como sacos de plástico e redes, que ela usava para propor interações sensoriais com o espectador. Entre os demais artistas contemporâneos selecionados por Rivera estão Cildo Meireles, com obras como Razão/Loucura (1976), e Laura Lima, autora das peças Novos costumes – esculturas de vinil que o público pode vestir e ter a oportunidade de transitar com a perspectiva de sentir um misto de fantasia e desconforto. A psiquiatra Nise da Silveira é homenageada na mostra com algumas obras do acervo do Museu de Imagens do Inconsciente, criado por ela na década de 50 para abrigar as obras de arte produzidas por internos do Hospital Psiquiátrico Pedro II, onde ela fundou um ateliê de arte-terapia que revelou verdadeiros artistas entre os pacientes.

Lugares do delírio. Museu de Arte do Rio – MAR. Praça Mauá, 5, Centro, Rio de Janeiro. De terça a domingo, das 10h às 17h. Informações: (21) 3031-2741. R$ 20; grátis às terças. Até 18 de junho.

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