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A cara do dono

Não é por acaso que tantos donos de animais partilham traços físicos e até psicológicos com seus bichos de estimação; de fato, na hora de escolher uma raça as pessoas tendem a buscar companheiros com os quais se identificam

agosto de 2012
© COMET BY CORBIS/LATINSTOCK
por Ana Marcondes

Os opostos se atraem, diz o senso comum. Quando se trata de escolher a raça do animal de estimação, porém, parece que a “sabedoria” popular se engana. Um estudo desenvolvido pelos psicólogos americanos Michael M. Roy e Nicholas J. S. Christenfeld, da Universidade da Califórnia em San Diego, mostrou que, muitas vezes, o que conta mesmo é a semelhança – e não a diferença. Os pesquisadores analisaram vários pares cão-dono. Interessados em saber se realmente as pessoas partilham traços físicos ou psicológicos com seus bichos, eles fotografaram, em um parque público, 45 donos e seus respectivos cães – 25 de raça e 20 vira-latas. Depois, mostraram a voluntários que não tinham acompanhado a pesquisa as fotos dos proprietários, de seu animal e a de outro cão. Em 16 dos 25 casos apresentados os observadores escolheram o par correto. Isso, porém, só ocorreu nos casos dos cães de raça.

Roy e Christenfeld constataram que, de forma mais ou menos consciente, as pessoas tendem a preferir um cachorro que se assemelha a elas, ao menos no caso de animais que possuem características bem definidas e previsíveis. As possibilidades de semelhança com o vira-lata são mais imprecisas já que no caso dos animais sem raça definida é mais difícil antecipar o aspecto futuro do filhote. Nesse caso, talvez fosse necessário levar em conta também a convivência e a relação, mas isso exigiria uma pesquisa mais aprofundada.

O que se sabe de forma cada vez mais detalhada é que bichos de estimação, mais ou menos parecidos com seus donos, fazem bem à saúde das pessoas. Na Universidade de Tel Aviv foi realizado um experimento para avaliar se fazer carinho em um bicho poderia reduzir a ansiedade após 58 voluntários entrarem em contato com uma tarântula. Havia um coelho e uma tartaruga, além de coelhos e tartarugas de brinquedo à disposição dos participantes para que escolhessem qual preferiam tocar. Ao acariciarem os animais de verdade, até mesmo a rígida tartaruga, a ansiedade foi reduzida, inclusive daqueles que não eram particularmente afeiçoados a bichos. Os animais de brinquedo não provocaram o mesmo efeito.

Resultados positivos também têm sido obtidos, em várias partes do mundo, com crianças com dificuldades de aprendizagem, idosos depressivos e doentes físicos e/ou mentais. Os pesquisadores alertam, porém, que o uso de bichos em terapias deve ser benéfico também para o animal, que precisa ser poupado do contato com pessoas que possam lhe causar dor ou desconforto.