(Agência USP de Notícias) − Por meio de princípios de física e estatística, um pesquisador da USP tenta entender quais são os mecanismos que levam ao aparecimento de opiniões extremistas dentro da sociedade. O físico André Martins, professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP Leste, desenvolveu um modelo exploratório que verifica as conseqüências da mudança de opinião das pessoas com base em novas informações recebidas, por exemplo, dos vizinhos.
O modelo foi testado em computador, e se baseia no Teorema de Bayes, um princípio básico de estatística. “Cada opinião individual é uma probabilidade associada a uma das idéias que estão em debate para ser a melhor opção”, explica Martins, professor do curso de Sistemas de Informação da EACH. "Essa probabilidade pode ser alterada por meio de métodos estatísticos conhecidos.”
Uma rede de vizinhança foi simulada para descobrir porque algumas opiniões mudavam e outras se tornavam fortemente arraigadas. “A idéia é observar o que regras simples de interação entre as pessoas geram em uma escala maior”, observa o físico, “do mesmo modo que a observação de fenômenos microscópicos, entre moléculas, por exemplo, pode ajudar a entender o que acontece em sistemas macroscópicos”.
Durante o estudo, conforme os vizinhos interagiam entre si, havia uma tendência a se formarem grupos com a mesma opinião. “Ao final, verificou-se que as pessoas acabavam se concentrando nos extremos”, conta o professor, “embora não seja possível prever em qual grupo a pessoa com determinada posição inicial irá se situar depois do processo de interação.” |