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A fábrica de realização de desejos

Fundação com mais de 25 mil voluntários torna realidade o sonho de crianças e jovens com doenças graves; no Brasil, a entidade funciona desde o ano passado

junho de 2009
Nem só Papai Noel, gênios, fadas e outros personagens que povoam a imaginação infantil realizam sonhos. Sem varinha mágica ou superpoderes – e às vezes com poucos recursos – pessoas comuns, de vários países, têm transformado em realidade os desejos mais inusitados de crianças e adolescentes de 3 a 18 anos, que sofrem de doenças graves. Eles são voluntários da fundação Make-AWish ® International. A organização foi criada em 1983 pela mãe do garotinho americano Christopher Greicius, de 7 anos, que sofria de leucemia. Ele sonhava ser policial e, com o agravamento da doença, um amigo da família decidiu ajudar a realizar esse desejo. Nomeado policial honorário, Christopher ganhou uniforme e voou de helicóptero. Animado com a aventura, o menino apresentou melhora em seu quadro e sua vida prolongou- se por um tempo bem maior do que os médicos esperavam.

Ao longo de 26 anos, a fundação tem atendido aos mais diversos pedidos. Os 25 mil voluntários, espalhados por 31 países, têm o prazo de três meses para realizar cada um dos desejos. Há, por exemplo, o caso de uma menininha panamenha que só queria um sapato novo, do tamanho do seu pé, que nunca tivesse sido de outra pessoa. Uma adolescente queria ter um quarto. O brasileiro Vitor, de 7 anos, vítima de um tipo raro de câncer que o impede de movimentar as pernas, queria apenas conhecer o mar.

Já Bruna, de 11, que sofre com lipomatose dolorosa (formação de acúmulos de tecido adiposo difusos), ganhou uma festa de aniversário com direito a passeio de cavalo branco. Há ainda aqueles que pedem para conhecer celebridades ou participar de eventos. É o caso de Yume, de 16 anos, com a síndrome de Leigh (doença que ataca o sistema nervoso central): apaixonada pelo reality show Big Brother Brasil, acompanhou o paredão final e conheceu o ganhador, Max.

O empresário Salim Tannus Neto, presidente da associação no Brasil, conheceu a iniciativa quando morava nos Estados Unidos e a trouxe para o país no ano passado. Sua irmã, Lêda Tannus, é diretora-executiva e coordena 120 voluntários treinados (em São Paulo, Grande São Paulo e Campinas). “Após recebermos o pedido, fazemos uma investigação com a criança para termos certeza do que ela realmente quer. Passada essa fase, fazemos tudo para que o dia seja único, perfeito. Criamos um cenário, com o que a criança gosta, incluindo cores, cheiros e músicas especiais”, conta Lêda. As solicitações podem ser enviadas pelo próprio paciente, por seus pais ou por profissionais da equipe médica que acompanha a criança. Contatos: www.makeawish.org.br. (Flávia Ferreira)