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A forma como vemos o mundo depende do que queremos

Quando estamos com sede, acreditar que a água está perto aumenta nossas chances de encontrá-la

janeiro de 2011
© matthew rambo/istockphoto
Um estudo realizado pelos psicólogos Emily Balcetis, da Universidade de Nova York, e David Dunning, da Universidade Cornell, ambas nos Estados Unidos, acaba de revelar que a forma como vemos o mundo depende daquilo que desejamos. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores pediram a um grupo de voluntários – parte deles com sede – que estimassem a que distância estava uma garrafa de água. Os sedentos afirmaram que ela estava mais perto que os demais. Em outro teste, os participantes deviam atirar um saquinho com pedras em cima de vale-presentes com valores variados. Os que tentavam acertar nos cupons de US$ 25 erravam o alvo, em média, em 23 cm para menos, enquanto os que tentavam acertar alvos de maior valor ultrapassavam o local exato em apenas 2,5 cm.


A pesquisa, publicada no periódico Psychological ­Science, mostra que com a evolução do cérebro as pessoas que subavaliavam as distâncias de certas metas deveriam estar perseguindo objetivos que desejavam com grande intensidade. “Acreditar que a água está perto quando temos sede aumenta nosso empenho em buscá-la e nos torna mais esperançosos de satisfazer rapidamente o anseio”, comenta Emily Balcetis. Evolutivamente, o erro na percepção pode ter sido uma vantagem, pois levava nossos ancestrais a se empenhar para conseguir o que precisavam – e talvez sobreviver em melhores condições que os que faziam avaliações mais precisas.