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A generosidade dos animais

Evidência de comportamentos altruístas entre ratos questiona paradigma da biologia evolutiva

agosto de 2007
©EMILIA STASIAK/123RF
ANIMAIS QUE RECEBERAM ajuda no passado são mais propensos a colaborar com desconhecidos sem segundas intenções
É cada vez mais freqüente os cientistas descobrirem que certos comportamentos pelos quais acreditamos nos distinguirmos das demais espécies estão na verdade mais disseminados pelo reino animal do que supõe nosso antropocentrismo. É o que mostra o estudo realizado pelos biólogos Michael Taborsky e Claudia Rutte, da Universidade de Berna. A pesquisa evidencia, pela primeira vez, a “cooperação generalizada recíproca”, algo que lembra o apelo cristão “ajudai-vos uns aos outros”.

O altruísmo recíproco em animais, isto é, aquele em que “uma pata lava a outra”, não é grande novidade para os biólogos evolutivos, mas é particularmente intrigante pelo fato de ser sempre passível de traição. O que os pesquisadores suíços observaram, porém, é um fenômeno mais generalizado: ratos que no passado receberam alimento com a ajuda de algum colega foram mais propensos a dar uma “patinha” a desconhecidos. Já os animais criados em ambiente onde prevaleceu o “cada um por si” se mostraram indiferentes às necessidade de seus semelhantes.

Os resultados têm grande importância, pois há na biologia evolutiva uma idéia muito difundida segundo a qual a competição entre os indivíduos pelos mesmos recursos inviabilizaria qualquer tipo de “ato generoso”. Parece que não é bem assim, segundo o estudo publicado na PLoS Biology.