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A linguagem da dor

Mostra na estação Brás do metrô, em São Paulo, exibe quadros pintados por mulheres com fibromialgia 

abril de 2013
Reprodução
“A dor é um veneno de cuja taça todos provaram: não há ninguém que não consiga lembrar o gosto e que não tenha medo de um gole maior”, define Melanie Thernstrom em Crônicas da dor (Objetiva, 2011).  A metáfora da escritora americana, que sofre de dor crônica, se aplica à fibromialgia. Caracterizada por dores difusas e constantes por todo o corpo, a síndrome afeta 2,5% da população mundial, em sua maioria mulheres, e não tem cura. Os sintomas podem ser controlados com medicamentos e psicoterapia, mas muitas das pacientes lidam diariamente com eles, que não raro limitam o trabalho e atividade física. A convivência íntima com a sensação dolorosa é tema da mostra A DorArte – 20 pinturas de mulheres com fibromialgia expostas na estação Brás do metrô, em São Paulo. 

As autoras das obras são pacientes do Hospital Universitário da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) durante o projeto Mãos à Obra, desenvolvido pela fisioterapeuta e bailarina Andréia Baptista, do departamento de reumatologia da mesma instituição, que pesquisou os efeitos terapêuticos da arte sobre os sintomas da fibromialgia em sua dissertação de mestrado. Cerca de 80 voluntárias tiveram aulas de desenho e pintura em grupo ao longo de cinco meses e foram incentivadas a expressar seus sentimentos nas telas. Segundo a pesquisadora, a atividade se refletiu em diminuição das queixas de dor e aumento do bem-estar das pacientes. As obras expostas foram selecionadas entre mais de 200. “Elas retratam sensações e angústias ligadas à dor, fadiga, alterações de sono e de humor”, diz Andréia.

A DorArte. Estação Brás (Linha 3 – Vermelha).  Praça Agente Cícero, s/no, Brás, São Paulo. Diariamente, das 4h40 às 0h35. Até o fim de abril.

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