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A polêmica dos efeitos da maconha

O uso da Cannabis como analgésico e tranquilizante é conhecido há milênios, mas pode levar à dependência psicológica. Como remédio, há benefícios e contradições – apesar das vantagens terapêuticas, o estigma sobre a planta causa controversia

abril de 2012
© YELLOWJ/SHUTTERSTOCK
Há mais de um século a droga tem causado grandes discussões. Cientistas em várias partes do mundo defendem que substâncias da erva podem amenizar sintomas do câncer, fobia social e aids. Por outro lado, oposições ao uso recreacional e a negação das propriedades medicinais da maconha aparecem em paralelo à sua disseminação. Agora, pesquisas feitas para entender seus efeitos, em vez de simplesmente demonizá-la ou defendê-la mostram que a verdade, pelo jeito, está em algum lugar desses dois extremos. A planta é frequentemente referida como o primeiro degrau na escalada do consumo de outras drogas, seria a porta que levaria ao uso de substâncias como grande potencial de causar dependência química, como a cocaína ou o crack. Entretanto, um estudo observacional, conduzido pelo psiquiatra Dartiu Xavier, da Universidade de São Paulo (Unifesp), aponta justamente o contrário: a Cannabis pode ser realmente útil para tratar sintomas de abstinência em usuários de crack e, assim, aumentar as chances de recuperação.

O especial Mente e Cérebro nº 31, como as drogas agem no cérebro, analisa os efeitos neurológicos e psíquicos de diversas susbstâncias psicoativas, entre elas a maconha. A edição traz a opinião de especialistas, como os neurocientistas Renato Malcher-Lopes e Sidarta Ribeiro que explicam como a maconha, planta que tem sido alvo de intensas discussões políticas nos últimos anos, tem ajudado pesquisadores a conhecer os mecanismos neurais envolvidos na dor e na consciência. O texto assinado pelo psiquiatra Elisaldo Carlini, aponta, entretanto, que o uso recreativo não demonstra benefício clínico algum, pelo contrário, agrava os riscos à saúde e se usada de maneira intensa pode levar desde a sensação de euforia ou sonolência até a delírios e alucinações. Nas bancas. Confira!