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A popularidade está no DNA

O tamanho e a estrutura da rede social de uma pessoa podem ter raízes genéticas; cientistas consideram agora a possibilidade de que redes sociais podem disseminar a ação dos genes ligados à obesidade – pessoas que tem um amigo íntimo que ganhou peso, por exemplo, tem maior probabilidade de engordar também

julho de 2009
© DANILO DONADONI/AGE FOTOSTOCK - KEYSTONE
Ignoramos que certos aspectos de nosso comportamento social – se conversamos facilmente com estranhos em uma festa, por exemplo, ou se preferimos nos disfarçar de vaso – são influenciados por nossa carga genética. Recentemente, pesquisadores da Universidade da Califórnia e da Universidade Harvard, ambas nos Estados Unidos, mostraram que os genes podem ser, pelo em parte, responsáveis pelo tipo de conexão social que as pessoas formam e a posição que elas ocupam nesses grupos. O cientista político James Fowler, pesquisador da Universidade da Califórnia, em San Diego estudou redes sociais de 1.110 adolescentes gêmeos (fraternos ou idênticos) e estabeleceu diversas correlações, levando em conta, por exemplo, a aceitação e popularidade de cada voluntário no grupo e sua habilidade em aproximar seus conhecidos, favorecendo o relacionamento entre eles. Segundo Fowler, a fundação genética desvendada pelo estudo é, provavelmente, formada por uma ampla combinação de genes que estão ligados, principalmente, a traços de personalidade, como humor, generosidade e extroversão. “Encontramos variações na tendência com a qual atraímos pessoas como amigas e na facilidade que se tem para apresentar amigos”, diz.

Fowler já havia mostrado que traços relacionados aos hábitos de saúde e comportamento, como obesidade e fumo, parecem se “espalhar” pela rede social: em geral, pessoas que tem um amigo íntimo que ganhou peso, por exemplo, tem maior probabilidade de engordar também. Agora que os pesquisadores mostraram que grupos têm um componente genético, eles passaram para a próxima pergunta: é possível que certos genes associados à obesidade não estejam agindo diretamente no corpo, mas sim influenciando a rede de convivência de alguém de uma maneira que leve essa pessoa a “pegar” obesidade? “Consideramos a hipótese de que redes sociais podem ser condutoras da ação dos genes”, ressalta o pesquisador.