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A possível relação entre articulações flexíveis e ansiedade

Pesquisadores da Universidade de Sussex, na Inglaterra, descobriram que pessoas com hipermobilidade articular tinham a amígdala aumentada. Essa estrutura é fundamental no processamento das emoções, principalmente o medo

maio de 2016
SHUTTERSTOCK

A elasticidade das articulações é geralmente associada ao bom condicionamento físico. Para dançarinos profissionais e atletas de algumas modalidades, ela é essencial.  Cobiçada por muitos, porém, a flexibilidade nem sempre é positiva, afirma um crescente corpo de pesquisa que descobriu uma ligação surpreendente entre altos níveis de elasticidade e ansiedade. Um dos estudos mais recentes que reforçam esses dados foi publicado na Frontiers in Psychology, o qual relaciona articulações hipermóveis a maior atividade cerebral em regiões associadas com essa dificuldade emocional. 

Característica de 20% da população, a hipermobilidade articular confere amplitude de movimento incomum. Muitos com essa peculiaridade podem, por exemplo, colocar facilmente as mãos espalmadas no chão sem dobrar os joelhos. A característica parece ser genética, resultante de variação no colágeno, a principal proteína estrutural do tecido conjuntivo.  

“A hipermobilidade articular pode causar impacto sobre todo o corpo, e não apenas nas conexões entre os ossos”, diz a psiquiatra Jessica Eccles, da Universidade de Sussex, na Inglaterra. Em um estudo com imagens cerebrais de 2012, Jessica e seus colegas descobriram que indivíduos com hipermobilidade articular tinham a amígdala aumentada. Essa estrutura tem papel fundamental no processamento das emoções, principalmente o medo. Na pesquisa publicada mais recentemente na Frontiers in Psychology, de Jessica e sua equipe, em colaboração com pesquisadores da Espanha, os participantes com essa característica exibiram reatividade neural elevada em regiões envolvidas com a ansiedade quando expostos a cenas que evocavam tristeza ou raiva. Os cientistas observaram também associação entre a condição e o aumento do consumo de chocolate, tabaco e álcool – produtos frequentemente utilizados como automedicamentos para tentar amenizar a inquietação. 

A hipermobilidade articular pode estar associada também com uma exacerbação do mecanismo de “luta ou fuga”. Jessica e seus colegas encontraram mais evidências dessa hipótese num estudo com 400 pacientes psiquiátricos. Eles descobriram um mecanismo simples, mas poderoso por trás dessa relação: alterações no colágeno que deixam as articulações muito flexíveis parecem afetar os vasos sanguíneos, o que pode aumentar a probabilidade de acúmulo de sangue nas veias das pernas. Isso tende a favorecer respostas cardiovasculares exageradas para manter a saída do sangue do coração. Quando esse órgão precisa trabalhar muito mais fortemente apenas para preservar a circulação sanguínea, pode deixar o corpo à beira de uma reação de luta ou fuga, aproximando-o do pânico. 

Jéssica acredita que esses pacientes podem se beneficiar, principalmente, dos betabloqueadores, medicamentos que ajudam a aliviar a ansiedade, reduzindo os sintomas da reação de luta ou fuga do organismo. Ela espera que estudos futuros investiguem esses tratamentos específicos para pessoas com articulações mais flexíveis.

Esta matéria foi publicada originalmente na edição de maio de Mente e Cérebro, disponível na Loja Segmento: http://bit.ly/1TzlwUW 

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