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A realidade mutável de Pablo Picasso

Obras do precursor do cubismo são exibidas em São Paulo e, em junho, irão para o Rio de Janeiro

maio de 2015
Pablo Ruiz Picasso. Femme Assise Accoudée. Mulher Sentada Apoiada sobre os Cotovelos. 1939. Óleo sobre tela, 92 x 73 cm. Coleção do Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madrid. © Succession Pablo Picasso / Autvis, Brasil, 2015.

Surgido nos primeiros anos do século 20, o movimento cubista trabalhou sobre um conceito que, décadas mais tarde, seria defendido pela neurociência: o que entendemos como realidade é construção da nossa percepção, um produto de uma complexa interação de muitos fatores, entre eles a perspectiva do observador (que fisicamente olha algo), suas emoções e suas memórias. “A arte é a mentira que nos permite conhecer a verdade”, disse Pablo Picasso, precursor do estilo marcado por formas geométricas sobrepostas que compõem e decompõem percepções a todo o tempo, como em Mulher sentada apoiada sobre os cotovelos (1939, acima). A obra é um dos trabalhos do artista espanhol exibidos na mostra Picasso e a modernidade espanhola, em São Paulo.

São 90 obras, de Picasso e contemporâneos espanhóis notadamente influenciados por seu trabalho, entre eles os ícones do surrealismo Salvador Dalí e Joan Miró. Dalí é representado pela pintura Arlequim (1926), possivelmente inspirada nos saltimbancos retratados em quadros mais antigos de Picasso. Biógrafos consideram a figura um alter ego do artista, bem como o Minotauro, personagem que mais tarde apareceu com frequência em sua obra. Picasso e demais artistas do cubismo questionaram a ideia de que a arte deve ter um compromisso com a representação do real. Assim, abriu as portas para as ousadas propostas do surrealismo, movimento que se inspirou nas ideias freudianas e tratou o inconsciente, simbolizado especialmente pelos sonhos, como matéria-prima da arte.

 

Picasso e a modernidade espanhola – Obras da coleção do Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía.

Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB-SP).
Rua Álvares Penteado, 112, Centro, São Paulo.
De quarta a segunda, das 9h às 21h.
Informações: (11) 3113-3651. Grátis. Até 8 de junho.

Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB-RJ).
Rua Primeiro de Março, 66, Centro, Rio de Janeiro.
De quarta a segunda, das 9h às 21h. Informações: (21) 3808-2020. Grátis.
De 24 de junho a 7 de setembro.

 

Esta exposição foi originalmente divulgada na edição de maio de Mente e Cérebro 2015, que pode ser adquirida na Loja Segmento: http://bit.ly/1DKrwmD





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