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Abelhas poliglotas

julho de 2008
© GORAN CAKMAZOVIC/SHUTTERSTOCK
Há muito tempo se sabe que a dança das abelhas, ou os deslocamentos padronizados que as operárias realizam na colônia, é uma forma da linguagem que informa suas colegas sobre a localização precisa das fontes de água e alimento. Esse idioma corporal varia entre as espécies e as diferenças são tanto maiores quanto mais distante for sua distribuição geográfica. A novidade nessa área vem de um estudo publicado na revista PLoS One, que demonstrou que as abelhas de uma determinada espécie podem aprender o “idioma” de outra.

Pesquisadores australianos, chineses e alemães conseguiram formar uma colônia mista com duas espécies: a Apis mellifera européia, e a Apis cerana asiática. A dança de cada uma é muito diferente no que diz respeito à orientação dos deslocamentos e à sua duração. Para os cientistas, o convívio forçado gerou certo stress no início, mas depois de alguns dias, as duas espécies já se entendiam e trocavam informações – tornaram-se “bilíngües”, por assim dizer. Isso indica que a plasticidade neural pode gerar resultados surpreendentes em seres com sistema nervoso mais rudimentar, como os insetos.