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Abelhas sofrem oscilações de humor

Situações que causam medo diminuem níveis de determinados neurotransmissores e alteram o comportamento dos insetos

agosto de 2011
© Fedorov Oleksiy/Shutterstock
Alterações de humor podem ser facilmente detectadas em cães ou em gatos, por exemplo. A novidade é que talvez abelhas também vivenciem diferentes sentimentos ao longo do dia – mesmo sem terem córtex, amígdala e outras estruturas cerebrais normalmente associadas às emoções. Essa é a conclusão de um estudo coordenado pela zoóloga Geraldine Wright, da Universidade de Newcastle, no Reino Unido.


A princípio, os pesquisadores preparam cinco soluções com odores diferentes entre si, feitas com quantidades variadas dos compostos químicos hexanol e octanone, e adicionaram doses distintas de sacarose¬ – que é saborosa para as abelhas por ser doce – ou de quinino, uma substância amarga geralmente evitada por esses insetos. Depois de aprenderem a associar os odores às soluções, os animais responderam estendendo ou retraindo a probóscide (órgão do aparelho bucal, responsável por capturar os alimentos), de acordo com o que era oferecido. Em seguida, os cientistas estressaram metade das abelhas, colocando-as por um minuto em um equipamento que simula o tremor gerado na colmeia quando ela é atacada por predadores.


Por fim, os animais foram testados com as misturas de hexanol e octanone. Como previsto, os dois grupos eram mais propensos a avançar no alimento doce e evitar o amargo. Curiosamente, porém, os insetos que foram agitados se mostraram menos interessados nos odores intermediários, ao contrário do grupo de controle, que preferiam “arriscar” e experimentar o alimento. Segundo os pesquisadores, o estresse deixou as abelhas pessimistas, o que fez com que elas interpretassem o odor ambíguo como “meio amargo”, em vez de “meio doce”.


Os estudiosos observaram, ainda, que a simulação de ataque diminuiu os níveis dos neurotransmissores octopamina, dopamina e serotonina, responsáveis pelas sensações de calma, prazer e bem-estar. Além de ser importante para melhor compreensão sobre o comportamento das abelhas, a descoberta pode ajudar, futuramente, em pesquisas sobre depressão e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).