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Abuso sexual na infância pode levar ao suicídio

Crime praticado por pessoa da família costuma causar danos mais graves à saúde mental

agosto de 2008
©Brendon De Suza/istockphoto
Abuso sexual e, em menor escala, violência física durante a infância podem ser associados ao suicídio na idade adulta. Um novo estudo, publicado na edição de agosto do British Journal of Psychiatry, confirmou a vinculação entre essas ocorrências. A pesquisa foi realizada com 3.388 crianças que freqüentavam escolinhas de língua francesa, em Quebec, Canadá, recrutadas entre 1986 e 1988.

O contato sexual foi relatado por 10% das crianças (8% delas meninas); a violência física por 20,6% (a maioria garotos) e ambos os tipos de abuso por 8% dos alunos. O tipo considerado menos grave de contato sexual abusivo, envolvendo toque, foi o mais freqüente – apontado por 49% dos entrevistados.

Cerca de 25% das crianças disseram ter sofrido ameaças e sido vítimas do uso de força e agressividade por parte dos adultos. Em um terço dos casos de abuso sexual o agressor era um membro da família e em cerca de dois terços a violência ocorreu repetidas vezes. O estudo indicou que aqueles submetidos a repetidas experiências de violência geralmente se mostravam mais vulneráveis emocionalmente, que os que enfrentaram uma única ocorrência.

O grupo de não abusados apresentou menor prevalência de tentativas de suicídio durante a vida (6%) que os que sofreram abuso físico (12%), abuso sexual (15%) e ambos os tipos de abuso (32%). Há consenso entre os pesquisadores de que o abuso sexual cometido por uma pessoa da família (como o pai, padrasto ou irmão) costuma trazer mais risco de desorganização psíquica para a vítima. Já o ato praticado por um parente mais distante (como tio ou primo) carrega um risco intermediário; enquanto o abuso cometido por pessoa de fora da família em geral é mais facilmente superado. De acordo com os pesquisadores, isso se explica pelo fato de que o abuso praticado por pessoas afetivamente mais ligadas à criança ocorre, em geral, em grupos familiares com múltiplos problemas, e que não oferecem condições de segurança e superação após o abuso.