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Açúcar pode funcionar como protetor neural

Composto feito com base em exoesqueletos de camarão repara membranas celulares danificadas

maio de 2010
© Mark Aplet/Shutterstock
Danos nas células neurais da medula espinhal podem causar consequências graves, já que o nervo lesionado expele substâncias que podem afetar e destruir áreas saudáveis. Existem algumas terapias para tratar esse problema, porém, sem muito sucesso. Entretanto, estudos realizados pela pesquisadora Youngnam Cho e seus colegas da Universidade Purdue, em West Lafayette, nos Estados Unidos trazem novas esperanças. Eles trabalharam com a quitosana, um composto de açúcar usado para emagrecer, com exoesqueletos de camarão (uma espécie de capa de cobre o corpo desse crustáceo), a quitina. Uma das principais propriedades dessa substância muito usada para o desenvolvimento de cosméticos é ligar-se à gordura.

Para realizar o estudo, os pesquisadores isolaram a medula espinhal das cobaias e a comprimiram ou dilaceraram. Em seguida, observaram como a quitosana age sobre a lesão, ou seja, se o açúcar é capaz de impedir que as células neurais libertem substâncias que compõem radicais livres, destruindo a mitocôndria (fundamental para o processo de respiração celular e para a ocorrência de reações bioquímicas intracelulares). Interessados em saber se a quitosana se ligava às células danificadas, os estudiosos investigaram se as cobaias que tinham a medula espinhal lesionada conseguiam transmitir novamente estímulos ao cérebro, após serem tratadas com o composto.

Os resultados foram surpreendentes: a quitosana não apenas agiu especificamente sobre as áreas danificadas, como também reparou as membranas celulares e impediu o vazamento de substâncias nocivas. Além disso, após 30 minutos houve a retomada de impulsos elétricos no córtex somatosensorial. Os animais não tratados com o composto não se recuperaram. Os pesquisadores estão convencidos de que a união de gorduras pode funcionar como protetor de células neurais.