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Adaptação de escala internacional ajuda a avaliar brasileiros com Alzheimer

março de 2009
© Velychko/shuterstock
Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) adaptaram e validaram uma escala internacional, inicialmente concebida para avaliar afasia (distúrbios da fala causados por lesões cerebrais), para uso em pacientes brasileiros com Alzheimer. O novo instrumento deve auxiliar no diagnóstico e no acompanhamento da evolução da doença, facilitando o trabalhado dos profissionais de reabilitação e dos cuidadores.

Coordenado pela fonoaudióloga Isabel Albuquerque Maranhão de Carvalho, o trabalho consistiu na tradução dos critérios descritos nos formulários da escala ASHA FACS (Avaliação Funcional das Habilidades de Comunicação, elaborada pela American Speech-Language-Hearing Association), adaptando-os aos padrões culturais brasileiros. “A vantagem desta escala é que ela avalia habilidades funcionais de comunicação, isto é, como a pessoa consegue se comunicar no meio em que vive e como responde às demandas que lhe são feitas, sejam elas de um advogado ou um analfabeto”, afirma a pesquisadora. Com a avaliação em mãos, neuropsicólogos, fonoaudiólogos, médicos ou terapeutas ocupacionais terão mais informações sobre quais habilidades de comunicação estão alteradas ou preservadas, o que deve melhorar as orientações dadas aos cuidadores e à família.
O estudo foi publicado no Alzheimer’s Disease and Associated Disorders Journal. Por enquanto, o instrumento está sendo usado apenas em pesquisas acadêmicas, mas o objetivo é que no futuro ele integre a rotina dos profissionais de saúde dessa área.

Como funciona

A avaliação ASHA FACS é composta por 43 itens divididos em quatro domínios: comunicação social (situações sociais que exigem interação com o falante), comunicação de necessidades básicas (reação a situações de necessidade e emergência), leitura, escrita e conceitos numéricos (anotar um recado, identificar rótulos de alimentos, preencher pequenos formulários), e planejamento diário (noção de agenda e compromissos, uso do telefone e calendário). Para cada um dos itens, o paciente pode obter índice de 1 (quando é incapaz de realizar uma tarefa que envolve comunicação) a 7 (se a tarefa é realizada sem problema algum) “Como não se pode confiar na resposta do paciente, que em geral não detecta problemas, achando que está fazendo tudo normalmente, realizamos a entrevista com um familiar próximo ou cuidador”, explica a autora do estudo. (Com informação da Agência USP de Notícias)