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Admiração faz bem à saúde

A sensação pode estar relacionada com níveis mais baixos de molécula ligada a processos inflamatórios

novembro de 2016
SHUTTERSTOCK

Emoções negativas têm sido associadas com altos níveis de estresse, de doenças cardíacas e até uma vida mais curta. As pesquisas sugerem que infecções podem ser responsáveis por essa relação, pelo menos em parte. As moléculas envolvidas nesse processo são essenciais para a resposta do corpo a inflamações e lesões, mas níveis elevados em longo prazo têm sido associados com diversos problemas, desde diabetes à depressão.

Poucos estudos avaliaram o efeito de emoções positivas sobre a saúde. Com isso em mente, uma equipe liderada pela psicóloga Jennifer Stellar, da Universidade de Toronto, que também começou a estudar a sensação de fascínio no laboratório de Keltner, da Universidade da Califórnia em Berkeley, realizou duas pesquisas para investigar a ligação. Na primeira, 94 estudantes responderam a um questionário para determinar quantas vezes haviam vivenciado determinados sentimentos durante o mês anterior. Depois, os cientistas colheram uma amostra de saliva para avaliar os níveis de uma molécula que estimula a inflamação chamada interleucina-6 (IL-6). Eles observaram que os sentimentos mais agradáveis foram associados com níveis mais baixos de IL-6.

No segundo experimento, 105 alunos preencheram formulários online desenvolvidos para avaliar a tendência a experimentar várias sensações positivas específicas. Mais tarde, eles visitaram o laboratório para fornecer amostras de saliva. A alegria, o contentamento, o orgulho e a admiração foram associados com menor quantidade da molécula, mas esse último sentimento foi o único capaz de predizer significativamente os níveis de IL-6 por meio de um teste estatístico rigoroso. 

Os resultados não provam que sentir fascínio por algo realmente provoque mudanças na quantidade da molécula. De fato, os autores advertem que provavelmente é uma relação de mão dupla: ter uma vida mais saudável e menos estressante pode permitir experimentar esse sentimento mais frequentemente. Eles mostram que a admiração está associada com a curiosidade e o desejo de explorar, que contrastam com a retirada social que muitas vezes acompanha doenças ou lesões. “Sabemos que as emoções agradáveis são importantes para o bem-estar, mas nossos resultados sugerem que também interferem na saúde do corpo”, diz Stellar.

Esta matéria foi publicada originalmente na edição de novembro de Mente e Cérebro, disponível na Loja Segmento: http://bit.ly/2eJCaHt 

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