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Adolescente cria página sobre experiências de abuso sexual

A argentina Micaela, de 17 anos, usa a internet para compartilhar as violências que sofreu do pai e fazer campanha por uma infância sem dor

junho de 2016
REPRODUÇÃO/FACEBOOK

Uma jovem argentina criou um blog e uma página no Facebook para abordar um tema tabu, porém provavelmente mais frequente do que se imagina: o abuso sexual na infância. Nas postagens de Por una infancia sin dolor (Por uma infância sem dor), Micaela, de 17 anos, relata o histórico de abusos que sofreu do pai desde os 4 anos e se estenderam por muito tempo, até que funcionários da escola onde estudava perceberam que ela passava por problemas e a encaminharam para atendimento psicopedagógico. 

“Não diga nada à sua mãe, você também gosta”, era uma das frases do abusador, que obrigava a criança a participar de chats pornográficos e invadia seu quarto quando a mãe estava ausente. Na rede, a menina fala sobre o processo de separação dos pais depois da descoberta do abuso, as tentativas do pai de se defender na Justiça e as dolorosas mudanças na relação com a família – a avó paterna, por exemplo, por quem afirma ter muito carinho, recusa-se a acreditar nas denúncias. A intenção de Micaela, explica ela, é, além de colocar-se diante da própria experiência, conscientizar adultos sobre o assunto, de forma a observarem comportamentos da criança e não pensar que eventuais queixas sejam apenas fruto de sua imaginação. Ela chama atenção para aspectos sutis, como distinguir um abraço carinhoso de toques inadequados. “A criança tem direito de recusar beijar e abraçar um adulto quando não se sente à vontade.”

Apesar de chocante, sua história é possivelmente comum: de acordo com um levantamento feito no Hospital das Clínicas (HC) da Universidade de São Paulo (USP), em 2011, de dez crianças abusadas, quatro foram vítimas do próprio pai. Em 2015, a campanha #meuprimeiroassedio, que tomou conta das redes sociais, colocou em evidência o tema dos abusos sexuais na infância. Micaela posta textos no endereço porunainfanciasindolor.blogspot e na página Por una infancia sin dolor no Facebook.

Esta matéria foi originalmente publicada na edição de junho de Mente e Cérebro, disponível na Loja Segmento: http://bit.ly/1UbjWih 

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