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Água e açúcar para aliviar a dor de bebês prematuros

Método desenvolvido por pesquisadores brasileiros já está em uso em Ribeirão Preto

maio de 2009
© steve lovegrove/shutterstock
Solução de 0,5 ml de sacarose faz com que as crianças se acalmem rapidamente
A vida de um recém-nascido prematuro numa unidade de terapia intensiva neonatal (Utin) não é muito agradável. Além de ficar longe dos mimos maternos, que teria se estivesse em casa, está exposto à luminosidade excessiva e aos ruídos típicos desse ambiente. Isso sem falar do manuseio feito pelos profissionais de saúde, o que inclui procedimentos dolorosos – mas necessários – como as picadas para coleta de sangue. Pensando em diminuir a dor dessas intervenções, pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, desenvolveram um método que traz alívio aos bebês e já foi posto em prática no Hospital das Clínicas da cidade, ligado à instituição. Os ingredientes são simples: água e açúcar.

A técnica se baseia na administração de 0,5 ml de solução de sacarose a 25% para cada quilo do recém-nascido durante os procedimentos dolorosos. Os bebês não deixam de chorar e espernear, mas se acalmam mais rapidamente. Segundo a professora Maria Beatriz Linhares, coordenadora do estudo, o prematuro com maior dificuldade para retornar ao padrão basal de estabilidade se apresenta mais vulnerável em termos clínicos. “A ocorrência da dor nesta fase inicial da vida, se muito freqüente, pode trazer prejuízo ao desenvolvimento futuro dos bebês”, explica Maria Beatriz. Essa preocupação deu origem a uma nova pesquisa, em fase de conclusão, sobre a relação entre a experiência dolorosa na fase neonatal e indicadores de comportamento nos primeiros anos de vida.

Durante sua estadia numa Utin, um prematuro pode ser submetido a 400 intervenções dolorosas até alcançar as condições ideais para a alta. A pesquisa mostrou que a solução de sacarose é segura e não causa efeitos adversos, sendo recomendada para os chamados procedimentos de rotina de dor menor, os mais comuns, enquanto os mais dolorosos geralmente exigem a administração de medicamentos.

Dois artigos foram publicados sobre o estudo. O primeiro, em 2008, na revista científica Pain (publicação da Associação Internacional para o Estudo da Dor), e o segundo, em 2009, na Early Human Development. Desenvolvido em parceria com um grupo canadense, referência mundial no manejo da dor na infância e na adolescência, o trabalho faz parte de um programa inédito no Brasil, com o objetivo de identificar, avaliar e tratar a dor infantil.