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Álcool, maconha e acidentes

Pesquisa da Unifesp aponta que cerca de 11% das vítimas de traumas não fatais admitidos nos serviços de urgência apresentam algum grau de intoxicação alcoólica; maconha foi detectada na urina de quase 14% dos pacientes

novembro de 2007
Divulgação
(Unifesp Notíciais) − Os dados fazem parte de um estudo epidemiológico sobre álcool e traumas da Organização Mundial de Saúde (OMS), realizado em 2001, em departamentos de urgência de 12 países. Entretanto, no Brasil os pesquisadores resolveram incluir a análise de outras substâncias psicoativas, como maconha, cocaína e benzodiazepínicos na prevalência desses traumas, resultando na dissertação de mestrado da psiquiatra Alessandra Diehl Reis, apresentada recentemente na Unifesp.

Nos três meses de coleta de dados, foram incluídos 353 pacientes que deram entrada no pronto-socorro do Hospital São Paulo devido a trauma não fatal. Além da utilização de um questionário padronizado pela OMS, o trabalho registrou o auto-relato do consumo de drogas nas últimas 24 horas que antecederam o acidente. Destes, 242 passaram por screening de urina para detecção de maconha e cocaína e 166 para benzodiazepínicos. Já a concentração de álcool no sangue foi avaliada em todos os participantes do estudo, por meio do uso de um bafômetro.

Os resultados apontaram que o uso de substâncias psicoativas nos indivíduos que sofreram trauma é alto, sobretudo para o álcool, detectado pelo bafômetro em 11% dos casos, e para a maconha, com 13,6% de positividade no teste de urina. Já a cocaína e os benzodiazepínicos foram menos freqüentes, sendo positivos para 3,3% e 4,2% dos indivíduos, respectivamente.
A associação entre o álcool e outras drogas também foi detectada em quase 8% dos entrevistados, o que aumenta ainda mais os riscos de traumas. Foi identificada a presença de maconha e benzodiazepínicos no organismo de três indivíduos; de maconha e cocaína, em seis; de álcool e benzodiazepínicos, em um; de álcool e cocaína, em cinco; e, de álcool e maconha, em 12.
Durante a entrevista, apenas 9,9% dos indivíduos admitiram ter consumido algum tipo de droga nas 24 horas que antecederam a pesquisa.

Drogas e acidentes

De acordo com Alessandra, vários estudos mostram a associação do uso de álcool e incidência de traumas. “Entretanto, apesar de se saber que o consumo de maconha e acidentes de trânsito é freqüente e que as propriedades farmacológicas dessa substância dificultam as habilidades básicas para se dirigir com segurança, poucos são os estudos realizados sobre seu uso ou de outras substâncias e a relação nas admissões de pacientes em prontos-socorros”, explica a psiquiatra.

Estimativas feitas em 2000 pela OMS apontam que, em diversos países, o custo médio global dos danos por mortes atribuídas ao álcool relacionadas a traumas foi de 46%.

Para a pesquisadora, é importante identificar o envolvimento de álcool e drogas em traumas nos serviços de urgência não apenas para referenciar esses indivíduos a uma rede de atendimento especializado no tratamento de uso nocivo ou dependência de substâncias. “Entre 30% e 40% dos usuários de drogas procuram mais atendimento médico em prontos-socorros que com um clínico geral”, afirma. “Ou seja, os serviços de urgência e emergência são uma importante porta de entrada para a detecção precoce do problema”.