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Alimentação balanceada beneficia coração e mente

Colesterol alto é fator de risco não só para doenças cardiovasculares, mas também para demência

abril de 2015
Fernanda Teixeira Ribeiro
SHUTTERSTOCK

Nos últimos anos foram publicados vários estudos que apontam marcadores biológicos em comum para problemas cardíacos e distúrbios neurológicos e mentais. Um deles, divulgado pela Neurology em 2011, relaciona níveis altos de colesterol na meia-idade a um risco maior de desenvolver Alzheimer duas ou três décadas mais tarde.

“Maiores quantidades de colesterol ‘ruim’ no sangue por volta dos 40 anos têm alguma relação, ainda não totalmente esclarecida, com o futuro aumento da produção e acúmulo no cérebro das proteínas alteradas que caracterizam a doença”, explica o nutrólogo Neal Barnard, professor de medicina da Universidade George Washington, autor do livro Power foods for the brain (Alimentos poderosos para o cérebro, sem tradução para o português).

Barnard aponta as desvantagens do consumo de gorduras saturadas, presentes principalmente em produtos de origem animal – como carnes, manteiga, leite. Elas aumentam o colesterol LDL, o “ruim”, que se deposita nas artérias e eleva o risco de problemas cárdio e cerebrovasculares, como infarto e derrame cerebral. “Ao serem levadas ao fogo, as carnes também liberam compostos tóxicos que aceleram o envelhecimento das células cerebrais, as aminas heterocíclicas. Isso inclui até mesmo os peixes, mas em bem menor quantidade”, diz o nutrólogo.

Tanto o coração como o cérebro se beneficiam das gorduras insaturadas. Encontradas em maiores quantidades no óleo de oliva (que não deve ser exposto a altas temperaturas, que destroem suas propriedades) e peixes de águas marinhas frias e profundas, como o salmão, elas ajudam a reduzir os níveis de colesterol LDL. Os ácidos graxos insaturados ômega-3 são utilizados na construção e preservação da bainha de mielina, camada que cobre o corpo dos neurônios e aumenta a velocidade de condução do impulso nervoso.

Pesquisadores do Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP) do Hospital do Coração (HCor) em São Paulo, em parceria com o Ministério da Saúde, estão desenvolvendo um estudo com 1.720 brasileiros que avalia os efeitos de mudanças simples na dieta para a saúde cardíaca e, consequentemente, para o organismo como um todo – nada mais que aumentar o consumo de verduras, legumes e frutas e diminuir o de produtos industrializados e ricos em açúcar e em gordura saturada. No final de 2011, o mesmo grupo fez um estudo piloto com 120 pessoas com histórico de infarto ou acidente vascular cerebral (AVC) e observou que seguir a “dieta cardioprotetora” por 12 semanas reduziu a pressão arterial, o peso e o colesterol LDL. No estudo em andamento, “estão sendo considerados aspectos regionais, isto é, o consumo de produtos específicos do local e que fazem bem à saúde cardiovascular”, diz a nutricionista e pesquisadora Camila Torreglosa. A divulgação dos resultados está prevista para os próximos meses.

Leia o texto completo do especial: "Alimentação sob outro olhar", da edição de abril de 2015 de Mente e Cérebro, disponível na Loja Segmento:http://bit.ly/1FHaxa8

 

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