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Alimentos que dão energia “demais”

Aditivos presentes em produtos industrializados parecem favorecer a hiperatividade infantil

outubro de 2007
© THOMAS PERKINS/ISTOCKPHOTO
CORANTES E CONSERVANTES alimentícios podem induzir comportamento hiperativo em crianças que já apresentam tendência ao transtorno
Corantes e conservantes usados em alimentos podem desenvolver a hiperatividade em crianças. A conclusão, que confirma uma antiga suspeita, foi publicada na The Lancet por pesquisadores da Universidade Southampton-, Reino Unido.

Participaram da pesquisa 152 meninos e meninas de 3 anos e 144 de 8 anos, selecionados aleatoriamente na população de Southampton. Durante seis semanas, elas não consumiram alimentos que contivessem os aditivos que seriam investigados logo depois. Nas seis semanas seguintes, as crianças foram divididas em dois grupos: um consumiu, diariamente, sucos em cuja composição havia benzoato de sódio (o conservante mais usado em alimentos), e diversos tipos de corantes; o outro grupo ingeriu o mesmo suco sem essas substâncias. Ambas as bebidas tinham aparência e sabor semelhantes.

O comportamento das crianças foi analisado por observadores durante o horário escolar. Nas mais velhas, um teste de computador avaliou a capacidade de concentração. Ninguém sabia - observadores, pais ou crianças - quem havia tomado qual suco. “Obtivemos claras evidências de que o consumo dessas substâncias pode induzir ao comportamento hiperativo”, diz o psicólogo Jim Stevenson, coordenador da pesquisa. Stevenson lembra, porém, que a hiperatividade é um transtorno multifatorial, por isso a alimentação por si não é suficiente para desencadear o problema. Em compensação, os resultados indicam que crianças já diagnosticadas com hiperatividade que apresentam outros fatores predisponentes para esse distúrbio deveriam evitar certos tipos de alimentos.